Nos principais aeroportos, atraso atinge mais de 10% dos vôos

No País, 12,7% das partidas e chegadas tiveram atrasos; Cumbica e Brasília têm mais de 15% de vôos com atraso

da Redação, estadao.com.br

10 de dezembro de 2008 | 17h50

Os principais aeroportos brasileiros apresentavam mais de 10% de atrasos até o início da noite desta quarta-feira, 10. De acordo com balanço das Empresa Brasileira de infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) das 18 horas, no País, o número de atrasos era de 12,8%. A "operação tartaruga" da Polícia Federal afetava o funcionamento normal dos terminais aéreos. Além dos agentes federais, policiais civis também fazem uma paralisação de 24 horas, e serviços como emissão de passaportes e embarque de passageiros são prejudicados.   Veja também: Anac descarta apagão aéreo no fim do ano Greve mostra insatisfação da categoria, diz sindicato   No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo, os atrasos de mais de 30 minutos atingiam 16,4% dos vôos programados da meia-noite até as 18 horas. Foram 24 de 146 vôos previstos com atrasos. Cinco vôos foram cancelados. Em Brasília, o número é maior: 17,3% dos vôos tiveram atrasos. Foram 19 atrasos nos 110 vôos programados. No Rio, o Aeroporto do Galeão teve 14,5% de atrasos nos vôos - foram 17 pousos e decolagens que tiveram problemas no horário, dos 117 previstos. No Aeroporto de Congonhas, os atrasos atingiram 22 (11,8%) dos 187 vôos e seis foram cancelados.   Algumas delegacias da PF também têm o funcionamento atingido devido à "operação tartaruga". Além de São Paulo, Rio e Brasília, a paralisação de 24 horas - que teve início às 8 horas - atinge serviços nos Estados da Bahia, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. O serviço de atendimento ao público, como interrogatórios, concessão de porte de arma, atendimento a estrangeiros, controle de empresas de vigilância, bancos e produtos químicos iriam ser suspensos. Apenas os atendimentos de urgência seriam feitos.   São Paulo   Cerca de 70% dos policiais federais de São Paulo aderiram à greve. O número foi informado por Francisco Carlos Sabino, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Civis e Federais do Departamento de Polícia Federal no Estado (Sindpolf-SP). "Somos contra a PEC 549, que transforma o delegado em carreira jurídica tal como um procurador ou juiz. Somos da carreira policial. Polícia é polícia. Se eles [delegados] quiserem, que façam concurso para outra carreira. Eles querem ganhar mais poder e salário", disse.   O presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal, Amaury Portugal, disse que os delegados da Polícia Federal não entraram em greve e estão trabalhando normalmente. À Agência Brasil, Portugal criticou a greve, chamando-a de "absurda". "Se fosse uma greve por aumento salarial, tudo bem. Mas fazer greve para tirar dos delegados a independência na investigação policial é absurdo", disse ele.   De acordo com Sabino, houve suspensão da emissão de passaportes e de certificados de porte de armas, que só foram realizados em caso de urgência. Também houve, segundo ele, uma operação padrão nos aeroportos. Segundo a assessoria de imprensa da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, o atendimento no local foi normal, inclusive na emissão de passaportes.   No aeroporto de Congonhas, a assessoria de imprensa informou que não houve operação padrão da Polícia Federal. Já no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), a assessoria informou que a operação padrão da Polícia Federal não afetou o seu funcionamento.   Reivindicações   A categoria reivindica a reestruturação na carreira com a criação de um projeto de Lei Orgânica. O Ministério da Justiça já apresentou um anteprojeto, mas que mantém os parâmetros atuais. "Por esse motivo houve uma forte reação da categoria", diz Marcos Vinício Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).   Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Civis e Federais do Departamento de Polícia Federal no Estado de São Paulo (Sindpolf), Rogério Almeida, a situação atual privilegia o mérito e não a experiência. "Hoje, delegados sem experiência policial ingressam, logo no começo de carreira, em altos postos de comando. E apenas os delegados ocupam os cargos mais elevados", diz. A meritocracia permitiria que policiais federais experientes também pudessem comandar, planejar e executar as operações.   As idéias defendidas pela categoria tomam por base estruturas policiais como as do FBI, dos Estados Unidos, e da Scotland Yard, do Reino Unido, mas encontram forte resistência dos delegados. "Isso não significa que queiramos ascender ao cargo de delegado sem concurso. Queremos que nossas funções nos permitam avançar degraus na carreira exercendo atividade investigatória", diz Wink.   A categoria também protesta contra o Plano Especial de Cargos, o PEC 549, que transforma os delegados em carreira jurídica e aumentaria o fosso salarial e funcional que separa os servidores. "O PEC contempla apenas uma categoria da Polícia Federal", diz Almeida, da Sindpolf.   (Com Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Agência Brasil)   Atualizado às 18 horas

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