Nos registros, saídas de 20 dias

Rosário teria passado longos períodos em casa

O Estadao de S.Paulo

28 Setembro 2007 | 00h00

Os registros de saída e entrada do interno Ademir Oliveira do Rosário no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 2 de Franco da Rocha mostram que o assassino confesso dos irmãos Francisco e Josenildo Ferreira de Oliveira pode ter permanecido nas ruas por períodos mais longos do que os fins de semana a que tinha direito, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), de passar com a família. Nos prontuários da Polícia Civil e da Defensoria Pública, consta que Rosário saiu pela primeira vez do hospital em 25 de novembro de 2006 e retornou 17 dias depois. Nas cinco visitas subseqüentes à família, o período teria sido ainda maior, de 20 dias cada uma. Só nas três últimas movimentações, entre os dias 10 e 13 e 24 e 27 de agosto e no último fim de semana, constam visitas de 4 dias. Não há, no entanto, menção de saída do preso no fim de semana de 4 e 5 de agosto, quando ocorreu um dos ataques pelos quais ele foi reconhecido pelas vítimas. O Estado confrontou os dois prontuários na noite da ontem. Procurada pela reportagem, a assessoria da SAP não pôde verificar se os dados estavam corretos ou se houve um erro no registro deles no sistema da Prodesp, responsável pelo processamento de dados do governo estadual. Os computadores mostram que, nos dez meses em que está no programa de desinternação progressiva, Rosário passou 129 dias nas ruas. Segundo a SAP, cerca de 200 internos participam do programa de desinternação. O objetivo é evitar que presos com problemas mentais voltem para casa de uma hora para a outra, depois de constatado que não são mais perigosos. Primeiro o interno dá voltas perto do hospital, acompanhado por agentes. Em seguida, ainda acompanhado, visita parentes. Só então passa a fazer visitas nos fins de semana à família sem acompanhamento. O objetivo é a volta definitiva do preso a casa. Segundo a defensora pública Carmen Silva de Moraes Barros, as Casas de Custódia de São Paulo têm outro problema: a falta de vagas. Pelo menos 578 doentes mentais - dos quais 131 presidiários - estariam na fila de espera para conseguir internamento em uma dessas unidades. JOSMAR JOZINO, MARCELO GODOY e RODRIGO PEREIRA

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