Nos vagões do Metrô, 2°C a mais

Falta de ventilação aumenta desconforto, diz especialista

Luisa Alcalde e Laís Cattassini, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

04 de março de 2009 | 00h00

Enquanto os termômetros paulistanos nas ruas bateram na casa dos 32°C, dentro dos vagões da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), no horário de rush, as temperaturas oscilavam entre 31°C e 34,5°C nas Linhas 3-Vermelha, 1-Azul e 2-Verde do sistema ontem. A reportagem mediu a temperatura nos trens com um termohidrômetro emprestado pelo Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).A composição mais quente foi a da Linha 2-Verde. Mesmo com os vagões praticamente vazios, foram marcados 34,5°C no percurso entre as Estações Paraíso (na zona sul) e Vila Madalena (zona oeste). Passageiros transpiravam, abanavam-se e reclamavam do calor.A estudante Patrícia Magela, de 21 anos, se abanava com um caderno para suportar o calor que fazia no vagão que passava pela Estação Clínicas, na zona oeste, às 18h30. "Todos os dias saio daqui suando." A vendedora Paula Borges, de 20 anos, passou mal dentro do metrô na semana passada. "O ar aqui dentro não tem circulação e é muita gente." Ela costuma percorrer o trajeto da Estação Sé, no centro, à Guilhermina Esperança, na zona leste, pela Linha Vermelha.Segundo o professor de clínica geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon, a falta de ventilação dentro das estações do metrô pode provocar a perda de líquidos e o aumento da temperatura do corpo. "Os passageiros devem mesmo se abanar e beber bastante água gelada. Se sentir que está suando muito é uma boa ideia beber água salgada para repor os sais minerais", explica. "A desidratação deixa a pessoa sonolenta e causa mal-estar."O termômetro da Universidade de São Paulo marcava 34,5°C ao lado do auxiliar de escritório de escritório Gabriel dos Santos, de 18 anos. O calor foi uma preocupação que o acompanhou durante o dia. No percurso que fez de manhã para ir ao trabalho, uma pessoa do lado dele sentiu falta de ar e tontura e precisou sair na estação seguinte por causa do calor.Cláudia Souza, de 34 anos, passageira da Linha 1-Azul, também reclamou da falta de ar. "Isso me incomoda muito. Todo dia eu uso o metrô e essa linha está sempre abafada." A decoradora Domenica da Tannota, de 52 anos, esperava o vagão na Linha Verde enquanto se abanava com uma revista. "Todo dia é esse martírio. Transpiro muito e sinto falta de ar. Fico sufocada." No percurso entre Sé e Itaquera, na linha vermelha, a mais lotada do sistema, a temperatura oscilou entre 31°C e 33°C.VENTILAÇÃOEm dezembro, o Estado mostrou que por dia 15 pessoas são encaminhadas de táxi para centros médicos, após passar mal no metrô. O número poderia ser mais que o dobro, porque em média 20 pessoas assinavam um termo, recusando o envio a hospitais. O Sindicato dos Metroviários reclamou da falta de sistema de ventilação na Linha 1. Essa situação já levou o sindicato a organizar um ato público e a fazer um abaixo-assinado em 2007 para cobrar providências da companhia.Segundo informou na época Wilmar Fratini, gerente de Operações do Metrô, a instalação da ventilação na Linha 1-Azul seria feita em breve. O gerente também prometeu aparelhos de ar-condicionado em 98 vagões reformados. Procurado ontem à tarde, o Metrô não se pronunciou até as 20 horas.

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