'Nós vamos defender travas para o gasto público'

Moreira Franco. Coordenador do PMDB na campanha de Dilma

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Novo integrante do comitê político da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, o vice-presidente de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco, foi escalado, pelo PMDB, para ser o guardião da ortodoxia econômica no ninho petista.

Ele deve se desligar do cargo nos próximos dias para assumir a função. Em entrevista ao Estado, o peemedebista, que de 1998 a 2002 foi assessor especial do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, minimiza a "confusão" de trocas de programas de governo de Dilma ao TSE e afirma que é preciso controlar os gastos públicos, ainda que a candidata não aborde o assunto com tanta contundência.

É possível unir num programa ideias de todos os partidos da coligação, que são tão distintos?

Se resolveram fazer a eleição juntos e ter um governo comum é necessário que se consiga um entendimento para que esse governo retrate a média dos partidos que terão a responsabilidade de governar. Nós vamos manter as grandes diretrizes macroeconômicas, e o que resta é ter algumas definições no plano microeconômico e na questão das políticas públicas.

Em relação ao plano microeconômico, o que é fundamental?

Primeiro, a educação, que hoje está se transformado num entrave para o desenvolvimento. A qualidade está caindo muito, especialmente no ensino fundamental. E é no ensino fundamental que você determina a inserção da criança ao longo da sua vida. Esse é um ponto.

E os demais?

Outro ponto é que temos que aumentar a taxa de poupança interna, tanto a pública quanto a privada. Achamos que o gasto público deve aumentar sempre num porcentual dois por cento inferior ao crescimento do PIB, no ano. Então, se no ano o crescimento do PIB foi de 6% o gasto deve aumentar 4% (em relação ao PIB), para que você tenha 2% para poupar e possa estimular também a poupança privada, sobretudo para investimentos em infraestrutura.

Isso não se chocaria com a visão do PT de aumento dos gastos públicos para o social?

Não. Acho que 4% do crescimento do PIB é um volume enorme, como também 2% do PIB para investimento é muito alto. Vai haver uma discussão sobre isso. Certamente há correntes e divisões que não querem manter o equilíbrio fiscal.

Divisões dentro do PT?

Dentro do PT há segmentos, mas dentro de outros partidos também. No próprio PMDB há pessoas que acham que não deve ter essas travas, mas nós achamos que tem que ter. A Carta aos Brasileiros, que foi lançada pelo candidato (Luiz Inácio Lula da Silva) na primeira campanha (em 2002), ainda não pode ser ignorada. Esse compromisso define nossa visão macroeconômica.

Como o PMDB encara a questão da mídia, já que o PT, em documentos, defendeu a "democratização dos meios de comunicação" e o "controle social"?

Queremos uma sociedade plural. É natural que as pessoas tenham seus pontos de vista e tenham o direito de torná-los públicos. Isso não significa que vai ser política de governo. A democracia é fruto do dissenso. O consenso é uma utopia autoritária. Propostas serão debatidas, mas não serão incorporadas. É fundamental mantermos o mesmo padrão que temos tido desde a redemocratização. Isso (controle da mídia) não retrata a composição das forças da coligação. Não creio que prospere.

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