Nostalgia com pouca emoção

Irritado com a organização de comício, Lula diz a metalúrgicos que Deus está do seu lado

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

Sem a carga emotiva que o PT gostaria de ter dado ao evento, o presidente Lula levou na madrugada de ontem a candidata à Presidência, Dilma Rousseff, à porta da fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo (SP), para que a petista assumisse um compromisso de governar para os trabalhadores, como se estivesse eleita.

Dilma foi apresentada como virtualmente eleita, como se sua vitória fosse um desígnio divino. "Estou muito feliz de estar aqui às cinco horas da manhã com a nossa presidenta", disse Lula. "Digo com a nossa presidenta porque eu tenho a convicção de que, se Deus está conosco, quem está contra a gente?"

Apesar da "convicção", Lula alertou: "Quanto mais as pesquisas ficam favoráveis, mais a gente tem que assumir responsabilidades e trabalhar mais. Ficar achando que vai ganhar só com as pesquisas não é boa política".

"O governo do presidente Lula teve em vocês o seu foco principal. O meu governo também tem esse compromisso sagrado", disse Dilma, usando os verbos no presente ao se referir a um eventual governo, e no passado para falar da atual gestão. "Eu vou ser a primeira presidenta deste país, a presidenta de vocês", afirmou a candidata, que discursou antes de Lula.

Irritação. De cima de um carro de som, por volta das 5h30, Lula demonstrou irritação com a organização do evento. "Não era o que eu pretendia", disse ele aos funcionários da empresa. "A ideia não era fazer um comício aqui. A gente ia fazer era uma coisa normal, para que a companheira fosse lá no corredor por onde vocês entram, e pudesse cumprimentar cada companheiro."

O presidente, que se formou politicamente ao liderar as greves de metalúrgicos no final dos anos 1970, pretendia ter feito um evento com mais "emoção".

Os petistas candidatos - Aloizio Mercadante (governo), Marta Suplicy (Senado) e Dilma - fizeram rápidos discursos para que pudessem andar entre os trabalhadores.

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