Notas enviadas ao 'Estado' negam irregularidades

BRASÍLIA

, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A Tecnet Tecnologia, a EBC e o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, remeteram ontem notas oficiais à Redação do Estado dizendo que não houve nem pressa nem atropelo na licitação de R$ 6,2 milhões realizada no dia 30 de dezembro de 2009. A reportagem publicada na edição desta quarta mostrou que a licitação da EBC, para gerenciamento de arquivos digitais, foi vencida pela Tecnet, empresa do grupo Rede TV! que emprega Cláudio Martins, filho do ministro da Comunicação Social.

O presidente da Tecnet, jornalista Amilcare Dallevo Junior, chamou a reportagem de "factoide" - expressão comumente usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata Dilma Rousseff (PT) para classificar as notícias que desagradam ao governo. Informou que, "no momento oportuno", poderá entrar com uma "ação judicial corretiva de danos morais".

Dallevo disse ainda que a empresa tem 20 anos e conseguiu oferecer à EBC o software a preço competitivo porque desenvolveu um produto que é "o mais avançado do mundo". Ele informou que a empresa está agora "iniciando a expansão internacional".

A EBC repetiu as informações fornecidas na segunda-feira, mas admitiu, na nota de ontem, que consultou mesmo a concorrente da Tecnet, a Media Portal, que presta o mesmo tipo de serviço à TV Cultura (Fundação Padre Anchieta). A EBC diz que fez as consultas em "busca de subsídios" porque os editais exigem descrições "precisas e minuciosas". Não informa se também consultou a Tecnet, concorrente da Media Portal.

Defesa. O ministro Franklin Martins, que é também presidente do conselho de administração da EBC, detalha os argumentos que já havia fornecido ao jornal na segunda-feira e diz que não participa do dia a dia da empresa. Afirma que Cláudio Martins é um "jornalista com larga experiência em tecnologia da informação" e que a lei não veda a vitória da Tecnet na concorrência da EBC só porque seu filho trabalha na empresa da Rede TV!.

"Como ministro-chefe da Secom, aprovo rotineiramente investimentos de publicidade do governo federal em jornais, rádio, televisões, portais etc. Se tal ideia prevalecesse, qualquer órgão de comunicação que contratasse meu filho teria de parar de receber anúncios do governo, o que seria uma discriminação descabida", disse o ministro. Apesar de tanto Franklin Martins como a EBC dizerem que não houve pressa na licitação, o processo foi feito em menos de dois meses.

Nota da Redação: A imprensa tem papel fundamental na fiscalização da gestão pública. Foi o que fez, pura e simplesmente, a reportagem. Todas as notas dizem que forneceram informações que o jornal desprezou. Ao contrário: todas as informações relevantes foram usadas, inclusive a opinião sobre o empresário Ângelo Varela de Albuquerque, chamado de "chantagista" pelo ministro Franklin.

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