Notebook tem aluguel mais alto que o preço de compra

Até no aluguel de apenas dez computadores portáteis o governo do Amapá superfaturou o serviço. Perícia contábil em documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Mãos Limpas revela que, em vez de adquirir notebooks para os órgãos públicos, o Estado preferia alugar esses equipamentos, sem licitação, por valor 73% mais alto que o preço de compra.

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Uma das empresas beneficiadas foi a Fiel Car Peças e Serviços, que trabalha com veículos, mas mudou o nome para Conceito Locações Ltda, por orientação da quadrilha, a fim de se adaptar ao objeto da fraude.

A empresa alugou dez notebooks à Superintendência de Agricultura por R$ 3 mil mensais, cada, perfazendo R$ 30 mil por mês. A PF apurou que um aparelho com as mesmas configurações custaria em média R$ 1.735, pouco mais da metade do aluguel. Caso a opção fosse mesmo por locação, havia uma segunda alternativa em Macapá, a empresa Studio MD2, que aluga o equipamento por R$ 1.500 ao mês, metade do que foi pago à Fiel. "Com base nos preços orçados, verifica-se um sobrepreço de 100%", anota o relatório.

O superintendente de Agricultura, Ruy Santos, e o servidor Raimundo dos Santos Cardoso, além do dono da empresa, estão entre os 18 presos trazidos a Brasília para prestar contas ao Superior Tribunal de Justiça. Eles estão indiciados por formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. Segundo a PF, os negócios da área de informática do governo não deixam dúvida "do descaso com a verba pública".

Investigação

TRECHOS DO RELATÓRIO DA PF

"Com base nos preços orçados, verifica-se um sobrepreço de 100%"

"Os negócios da área de informática do governo amapaense não deixam dúvida

do descaso com a verba pública"

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