Notícia do crime tem destaque mundial

O assassinato do velejador neozelandês Peter Blake foi destaque nos principais jornais do mundo ontem. Muitas reportagens descreveram a Amazônia como um lugar vasto e pouco policiado, onde a pirataria é comum. Os sites dos jornais acompanharam durante todo o dia o desenrolar do caso, noticiando, também, a prisão dos suspeitos. A edição online do jornal neozelandês The New Zealand Herald, por exemplo, relaciona a morte de Blake à miséria na Amazônia, descrita como ?terreno fértil para esse tipo de crime?, servindo de camuflagem natural para traficantes. ?Enquanto estatísticas internacionais mostram que o Brasil não tem taxas de pirataria de rios piores do que as de outras partes do globo, aqueles familiarizados com o empobrecimento da região amazônica dizem que a violência é parte do cotidiano?, diz a reportagem. De acordo com The New Zealand Herald, só depois de casos envolvendo pessoas como Blake, citado como herói, ou o sindicalista Chico Mendes, ?o mundo percebe o lado mais selvagem dos pulmões da Terra?. Mendes foi assassinado em 1988, no Acre. A morte do navegador também recebeu destaque em outro jornal do país, o Wairarapa Times Age. Também foi noticiada por jornais australianos, como o Sidney Morning Herald, que relembra que o Brasil já tem uma ?história de ataques semelhantes?. A reportagem também cita o caso de Chico Mendes. Larry Rohter, correspondente no Rio do jornal americano The New York Times, descreve a Amazônia como uma região vasta e remota, pouco policiada. Ele ressalta que, apesar disso, muitos ocupantes de barcos turísticos e comerciais preferem não andar armados. O motivo é que os navegadores acreditam estar em segurança na área, onde sabem que não correm os mesmos perigos encontrados no Caribe. Lá, os ataques a embarcações são mais freqüentes. Rohter lembrou-se de uma entrevista concedida por Blake, na qual o navegador falou que aquele era o tipo de viagem que ele gostava de fazer. ?O guia nos disse que vamos visitar locais inexplorados?, disse o velejador ao jornalista. O jornal The Washington Post também deu destaque ao assassinato de Blake, informando que o esportista estava em uma missão que dizia muito a seu coração: chamar a atenção para os problemas marinhos, em especial o aquecimento global. Segundo o jornal, a notícia atingiu em cheio os neozelandeses. O jornal ouviu depoimento de um velejador que disputou provas na equipe de Blake, Tom Schnackenberg. ?Ele sempre nos pareceu invencível e acabou morrendo de uma forma trivial e insensata.? Luto neozelandês ? A reportagem também informa que a pirataria não é incomum na América do Sul e cita palavras do porta-voz do Blakexpeditions, Alan Seftone. ?Eles estavam vigilantes, porque sabiam que algo do gênero poderia ocorrer, mas os ladrões surpreenderam, chegando no meio da noite.? No jornal The Guardian, os ingleses leram que o Rio Amazonas, perto de Macapá, é conhecido pela violência e Blake não foi informado dos perigos de ancorar na área. O francês Le Monde enviou repórter à Nova Zelândia especialmente para acompanhar a dor do país. O repórter conta que os neozelandeses estão sofrendo com a perda de um dos heróis do esporte nacional. O Parlamento parou para um minuto de silêncio. As bandeiras passaram o dia a meio pau, em sinal de luto pelo velejador, e milhares de pessoas saíram às ruas de meias vermelhas, como as que Blake usava quando ganhou o torneio America?s Cup.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.