Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Mais 3 barragens da Vale têm risco de rompimento elevado para o máximo em MG

Sirenes foram acionadas e estruturas em Ouro Preto e Macacos estão no nível de alerta 3, que indica risco iminente de ruptura. Moradores já haviam sido retirados das áreas em fevereiro

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

27 de março de 2019 | 22h50
Atualizado 28 de março de 2019 | 14h54

BELO HORIZONTE -  Mais três barragens da Vale em Minas Gerais foram colocadas em alerta máximo para rompimento nesta quarta-feira, 27. Duas ficam em Ouro Preto e uma em Nova Lima, no distrito de São Sebastião das Águas Claras, conhecido como Macacos. Sirenes foram acionadas, como protocolo, na zona de auto-salvamento (ZAS) das três barragens. As estruturas deixam o nível 2 e passam para o nível 3 de segurança, o que significa risco iminente de ruptura. A barragem em Nova Lima é a B3/B4. Em Ouro Preto são as estruturas Forquilha I e Forquilha III. 

As informações são do coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, Flávio Godinho, que afirmou não terem ocorrido retiradas de moradores nesta quarta. Moradores da zona de auto-salvamento das estruturas foram retirados de casa em 16 de fevereiro, no caso de Nova Lima, e no dia 20 do mesmo mês, em relação a Ouro Preto. No caso da barragem de Macacos, 305 moradores foram obrigados a deixar suas casas. Em Ouro Preto, a evacuação somou aproximadamente 75 pessoas.

Uma comunidade em Nova Lima, chamada Honório Bicalho, apesar de estar fora da zona de auto-salvamento, poderá ser evacuada ainda esta noite, segundo Godinho. Ainda conforme o representante da Defesa Civil, não há possibilidade de a lama das barragens em Ouro Preto atingirem a região Central da cidade. Quatro moradores de comunidade que também não estava na ZAS já foram retirados de casa.

Com as elevações desta quarta, chega a quatro o número de represas da Vale em Minas em alerta máximo para rompimento em menos de uma semana. Na sexta-feira, represa de rejeitos da mineradora em Barão de Cocais, também recebeu nível 3 de segurança.

Em nota, a Vale afirmou que “a ação é necessária pois auditores independentes de segurança de barragens contratados pela Vale informaram que essas estruturas não receberiam Declarações de Condição de Estabilidade por terem fator de segurança abaixo do novo limite estabelecido na portaria 4 da Agência Nacional de Mineração (ANM), publicada em 18 de fevereiro de 2019”.

A empresa afirmou ainda que “assim, a Vale acionou, de forma preventiva, o protocolo para início do nível 3 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para três barragens”.

A mineradora  diz que “adotará as medidas necessárias, com apoio da Defesa Civil e os demais órgãos competentes, para orientar os moradores da Zona de Segurança Secundária (ZSS) de Macacos/Nova Lima e Ouro Preto e prepará-los, com treinamentos e simulado de evacuação, em caso de situação de rompimento de barragem” e que “continua adotando uma série de medidas preventivas para aumentar a condição de segurança de suas barragens”.

Conforme a empresa, “é importante lembrar que as barragens B3/B4, Forquilha I e III são barragens a montante inativas - portanto, que não recebem rejeitos, remanescentes da Vale e fazem parte do plano de descaracterização anunciado pela empresa em 29 de janeiro de 2019”.

Barão de Cocais vive estado de vigília

No momento em que se completam dois meses da tragédia de Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale deixou pelo menos 212 mortos, a cidade de Barão de Cocais (MG), onde também há uma barragem da empresa em risco iminente de rompimento, vive um estado de vigília.

Desde fevereiro, com a subida para o nível de segurança 2 da barragem Sul Superior, da mina de Gongo Soco, cerca de 6 mil dos 28 mil moradores da cidade, habitantes das margens do Rio São João, têm dificuldade para dormir. Em caso de rompimento, a lama de rejeitos descerá pelo curso d'água. 

Desde sexta-feira, 22, com nova elevação do nível de segurança da estrutura, agora para 3, o que significa ruptura iminente ou em andamento, o temor se intensificou e moradores que poderão ser atingidos chegam a manter o carro pronto na garagem com documentos, álbum de formatura de filhos e lembranças da residência que pode ser destruída.

Ponto de encontro e rota de fuga são expressões que passaram a fazer parte do cotidiano dos moradores. Nas ruas, a circulação de carros da polícia com a sirene ligada indica a mobilização das autoridades para realizar o treinamento da população com objetivo de evitar um novo desastre no Estado. 

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