Nova Friburgo avalia em R$ 78 milhões os estragos da chuva

A última grande obra de prevenção realizada com recursos federais em Nova Friburgo,onde seis dias de chuva provocaram a morte de onze pessoas e deixaram mil sem casa, foi há quatro anos. Na ocasião, foram investidos R$ 15 milhões para evitar o transbordamento do Rio Bengalas, o principal da cidade.Encravada na Serra dos Órgãos, Nova Friburgo tem 177 mil habitantes e muitos problemas causados pelo crescimento desordenado ao longo de trinta anos. A prefeitura avalia em R$ 78 milhões o investimento necessário para reparar os danos provocados pela chuva. São encostas que desabaram, rodovias que ficaram em condições precárias, pequenas pontes e casas destruídas. No município, 464 pessoas estão desabrigadas e 565, desalojadas. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, foram feitas obras para contenção de encostas, mas não na quantidade necessária. A cidade serrana, que fica a uma altitude média de mil metros, tem 99 áreas de risco mapeadas.SumidouroEm Sumidouro, onde nove pessoas morreram e uma está desaparecida, as chuvas causaram estrago avaliado em R$ 11,3 milhões. O valor é quase a metade do orçamento anual da cidade, de R$ 24 milhões. "Nossa capacidade de investimento é muito reduzida. Estamos pleiteando recursos junto ao governo federal para obras de contenção. Esperamos desesperadamente que os critérios do governo de distribuição sejam de acordo com a dimensão dos acontecimentos", informou a prefeitura. Dos 15 mil habitantes de Sumidouro, 500 estão desabrigados. Os estragos chegaram a R$ 10 milhões em Petrópolis, segundo a prefeitura. Três pessoas morreram. Em Teresópolis, ocorreram duas mortes. A Defesa Civil não tinham concluído até as 18 horas desta terça-feira o relatório sobre os danos. Campos Em Campos, a alta histórica do Rio Paraíba do Sul, que chegou a 11,64 metros, o maior patamar do último século, foi a responsável pelos maiores danos, afirmou o prefeito, Alexandre Mocaiber (sem partido). Segundo ele, a cidade se preparou, sim, para a estação chuvosa, mas era impossível prever que o rio subiria tanto e levaria, por exemplo, a principal ponte de Campos, a General Dutra, parte da BR-101 e construída em 1948, a ceder.Durante sua gestão, explicou Mocaiber - no cargo desde abril de 2006 -, a cidade não recebeu recursos do governo estadual nem federal para se precaver com relação a enchentes. "Fizemos obras emergenciais, com dinheiro nosso. Mas, do jeito que foi, nada do que fizéssemos daria conta. Não era possível prever que o rio chegaria ao nível que chegou", disse o prefeito. "Poderia ter sido uma tragédia maior. O que fizemos minimizou os efeitos." Quatro pessoas morreram e mais de seis mil ficaram desabrigadas ou desalojadas. O secretário de Obras, José Luiz Puglia, relatou que, em 2006, foi realizada uma série de intervenções preventivas, de modo a diminuir os efeitos de chuvas fortes: limpeza de bueiros e de galerias pluviais, instalação de bombas nas áreas mais baixas da cidade (que é de planície), recuperação de estradas vicinais, drenagem de alguns bairros.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2007 | 18h42

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