Nova ofensiva da Operação Mãos Limpas prende 9 no AP

Alguns já tinham sido detidos em blitz do ano passado, como o titular da Superintendência Federal da Agricultura

Alcinéa Cavalcante, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

MACAPÁ

Deflagrada em 10 de setembro do ano passado pela Polícia Federal, a Operação Mãos Limpas continua tendo desdobramentos. Ontem a ofensiva atingiu as Superintendências Federais da Agricultura e da Aquicultura e Pesca. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e dez de busca e apreensão, nos dois órgãos, em empresas e nas casas de servidores públicos. Os mandados foram expedidos pelo juiz federal Anselmo Gonçalves da Silva.

Entre os presos estão empresários e servidores públicos. Alguns já foram presos em outras operações e em outras fases da Mãos Limpas, como o titular da Superintendência Federal da Agricultura, Ruy Santos Carvalho. Ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Mãos Limpas, em 10 de setembro do ano passado. Na época, a Polícia Federal o acusou de praticar "ilícitos extravagantes no desvio de recursos da União", como superfaturamento na contratação de empresas de prestação de serviços.

Como desdobramento da Mãos Limpas, depois que os peritos da PF analisaram documentos de órgãos públicos, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Otávio Noronha determinou novas investigações, desta vez na Superintendência Federal da Agricultura e na Superintendência Federal da Aquicultura e Pesca. Nessas investigações a Polícia Federal contou com o apoio dos auditores e técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU).

O trabalho realizado pela CGU mostrou uma série de irregularidades nos dois órgãos. O relatório da CGU apontou fraudes nas licitações para aquisição de materiais de expediente e de limpeza. As licitações, na maioria das vezes, eram dirigidas. As empresas vencedoras recebiam a totalidade do valor, mas entregavam apenas uma pequena parte do material. Ainda não se sabe qual o montante do rombo.

Estão presos preventivamente Raimundo dos Santos Cardoso, Ruy Santos Carvalho, Rafael Costa Quaresma, Luiz Carlos Pinheiro Borges, Luiz Lopes Lacerda, Laércio da Silva Araújo Junior. Em prisão temporária estão Eulina Gomes dos Santos, Luiz Carlos da Silva Nascimento e Aldenora Pontes da Silva.

Ofensiva. Em setembro do ano passado, a Operação Mãos Limpas realizou 18 prisões temporárias, fora as conduções coercitivas para tomada de depoimento, e 94 buscas e apreensões. Cerca de 600 policiais participaram das ações em quatro Estados: Amapá, Pará, Paraíba e São Paulo. O então governador do Amapá Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-governador Waldez Góes (PDT) chegaram a ser presos na ofensiva.

Luxo na garagem

No ano passado, o presidente do Tribunal de Contas do Amapá foi preso pela Operação Mãos Limpas. Na garagem de sua casa, foram encontrados uma Ferrari, um Maserati e um Mercedes-Benz.

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