Nova onda de violência: 78 ataques e 12 presos

A onda de violência que começou na madrugada desta segunda-feira, 7, é a terceira de ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) a atingir prédios de segurança pública e alvos civis no Estado de São Paulo neste ano. Na tarde desta segunda-feira, 7, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo divulgou um novo balanço, segundo o qual foram registrados 78 ataques, com 93 alvos atingidos, 2 mortos e cinco feridos.Quatro civis e um vigilante de banco ficaram feridos. Dois suspeitos de participarem dos ataques foram mortos em confrontos com a polícia e outros 12 foram presos, todos com passagem pela polícia. Os ataques não ficaram restritos à capital e à região metropolitana. Cinco cidades do interior, Santa Bárbara, Sumaré, Nova Odessa, Jundiaí e Lucélia também foram alvo de ataques.Na Baixada Santista, 3 delegacias (uma em Santos, outra em Cubatão e outra no Guarujá), um banco, em Praia Grande, e uma loja de carros, em Santos, em Santos foram alvo de ataques.Cronologia dos ataquesEntre 12 e 19 de maio, ocorreram os primeiros ataques. Foram pelo menos 307 atentados em todo o Estado com cerca de 82 ônibus incendiados e 17 bancos atacados. Os alvos ficaram concentrados a delegacias, bases policiais, veículos de transporte público e agências bancárias. Pelo menos 166 pessoas, entre policiais, civis, detentos e suspeitos, foram mortas entre 12 e 21 de maio, período que foi considerado um dos mais violentos de São Paulo e do Brasil. Cerca de 91 suspeitos foram presos. Além disso, houve rebeliões em 73 presídios. Os ataques teriam sido motivados pela decisão do governo estadual de transferir 765 presos para a Penitenciária de Presidente Venceslau. Em 15 de maio, o pânico tomou conta dos paulistanos. Uma série de boatos, como o do toque de recolher, fez muitas pessoas saírem mais cedo do trabalho, deixando várias ruas desertas por volta das 20 horas. Escolas e universidades chegaram a cancelar as aulas à noite. Nos dois meses seguintes, 16 agentes penitenciários foram mortos, de acordo com um dos sindicatos que representam a categoria.Entre 12 e 14 de julho, aconteceu uma segunda onda de ataques com cerca de 140 atentados. Mais agentes penitenciários e policiais foram mortos. Morreram também dois civis e três seguranças particulares. Os principais ataques ocorreram contra ônibus. Na capital, 53 ônibus e lotações foram destruídos, principalmente nas zonas norte e leste. Em 13 de julho, cerca de dois milhões de paulistanos ficaram a pé, quando as empresas de ônibus decidiram parar de circular após os ataques. Em todo o Estado, 73 ônibus foram atacados. Os alvos se tornaram mais civis: agências bancárias, lojas, revendedoras de carros e até supermercados foram atacados. Cerca de oito pessoas morreram e 64 suspeitos foram presos. Esses ataques foram interpretados como uma represália à possibilidade de transferência dos líderes do PCC para o presídio federal de Catanduvas (PR). Outro motivo levantado foi a revolta com o confinamento de detentos nos pátios dos presídios de Araraquara e Itirapina - os atentados seriam a forma de mostrar aos presos que o PCC defende direitos da população carcerária.

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