Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Novais culpa antecessores no Turismo

No Senado, ministro diz que pasta é cheia de 'informalidades' e que ficará no cargo; peemedebistas usam crise para atacar líder da sigla

Rosa Costa e Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2011 | 00h00

Com o dedo apontado para petistas que o antecederam na pasta, o ministro Pedro Novais disse ontem que o Turismo é cheio de "informalidades". "As irregularidades são das administrações anteriores a 31 de dezembro de 2010", afirmou na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado. O peemedebista se referiu a Luiz Barreto Filho e à senadora Marta Suplicy (SP), os dois últimos antecessores de Novais na pasta, ambos ligados ao PT.

O ministro reiterou que não deixará o cargo, alegando ter apoio dos colegas do PMDB. Novais disse que tem lido na imprensa "rumores sobre insatisfeitos na bancada quanto ao seu desempenho e por outras atividades do partido". "Eu até gostaria, mas não pretendo ter a vaidade de dizer que tenho a unanimidade. Ficarei feliz em me contentar com a maioria."

O ministro foi ouvido uma semana depois de participar de audiência pública na Câmara. Nas duas ocasiões, Novais garantiu que nada sabia sobre irregularidades em convênios da pasta, sobretudo os firmados com o Ibrasi, pivô da Operação Voucher da Polícia Federal, no valor de R$ 9 milhões. As investigações resultaram na prisão de 36 pessoas.

Berlinda. Apesar do otimismo de Novais, representantes do grupo descontente do PMDB e da ala mais próxima ao vice-presidente Michel Temer avaliam que o ministro está "politicamente morto", mas nem o partido nem o Palácio do Planalto trabalham com uma demissão no curto prazo. A despeito da "faxina" que segue no Turismo, a presidente Dilma Rousseff já comunicou aos aliados a intenção de, se possível, adiar a troca até a reforma ministerial de 2012, quando os candidatos às eleições municipais deixarão o governo.

Foi nesse clima que ministros e parlamentares de todas as alas do PMDB se reuniram ontem para um jantar com Dilma no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice. A expectativa era reunir algo em torno de 120 peemedebistas. Os insatisfeitos que haviam sugerido a Temer entregar a cabeça de Novais já davam o assunto por encerrado. O objetivo não era a degola imediata de Novais, mas avisar ao Planalto que o grupo quer ser consultado na sucessão.

A insatisfação maior não é com o ministro, mas com o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), padrinho da indicação. Embora cada descontente tenha suas razões - de brigas locais com o PT a pedidos de cargos e liberação de verbas não atendidos -, a queixa que os une é a falta de democracia interna. "O que eles querem é ser ouvidos, e isto é natural. Faltava conversa, mas eu falei com o Henrique e se estabeleceu um diálogo muito produtivo entre ele e esses líderes da bancada", disse Temer ao Estado.

Antes do jantar, Dilma havia mandado recado aos aliados e aos descontentes do PMDB, de que deseja encerrar a etapa de escândalos na gestão. A mensagem foi transmitida pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Mas ficou claro que a "faxina" não acabou e que, caso os ministros não consigam responder adequadamente a eventuais denúncias, a troca será feita. "A presidente quer interditar essa agenda, mas não permitirá malfeitos", disse um vice-líder do governo na Câmara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.