Novas linhas do metrô mudam a cara de SP

Uma só deve sair do papel em 2007 e teve a licitação suspensa na semana passada. A outra tem apresentado movimento inferior ao esperado. Mesmo assim, as Linhas 4 e 5 do metrô já estão mudando a cara de São Paulo. Entre as Estações Capão Redondo e Campo Limpo da recém-inaugurada Linha 5 há pelo menos seis novos conjuntos residenciais. O último terreno de 20 mil metros quadrados ainda desocupado na Avenida Carlos Caldeira Filho, por onde passa o metrô, ganhou 7 prédios de 17 e 18 andares quando a Construtora Schahin Cury e a empresa de consultoria imobiliária Abyara perceberam que a obra iria mesmo ser inaugurada."O fato de ter saída para a estação é um forte recurso de venda", diz Isabela Bruno, da Schahin, que já tem um lançamento na Avenida Adolfo Pinheiro, também servida pela Linha 5. Isabela garante que o preço do imóvel não muda, mas sim a liquidez. "Damos como exemplo a valorização de outras áreas que têm metrô há mais tempo e o comprador faz a aposta. A Estação Campo Limpo ainda não funciona em tempo integral, mas quando a linha estiver integrada a outras, a valorização será real."Foi nisso que os empreendedores apostaram na época do lançamento do projeto. "Quando decidimos o local, já tínhamos a expectativa da construção do metrô", diz Rogério Santos, diretor de Planejamento e Marketing da Abyara. Segundo ele, no entanto, as vendas dependem de preços competitivos, cuja viabilidade é inversamente proporcional à valorização da região. "O preço que conseguimos praticar ali não seria possível em outra área já verticalizada. Com o metrô em funcionamento, os donos poderão vender os imóveis por um valor cerca de 15% maior do que o pago na compra."De olho em novas oportunidades, a Abyara tem empreendimentos a serem lançados em toda a extensão da Linha 4, de 12,8 quilômetros, que vai ligar a Estação da Luz à Vila Sônia. Não está sozinha. Construtoras como a Coema e empreendedores do porte do Pão de Açúcar também apostam na nova linha. "Todo investimento público valoriza primeiro a microrregião onde está localizado e, mais tarde, os bairros vizinhos. Aconteceu o mesmo com a expansão da Avenida Faria Lima e da Funchal até a Luís Carlos Berrini", afirma Santos.ButantãSegundo especialistas do setor, a valorização da Linha 4 deve ocorrer especialmente no entorno da Estação Butantã, entre a Raposo Tavares e a Avenida Francisco Morato. "Ali a ocupação já é densa, porém horizontal", diz o diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia. "Com a chegada do metrô, a área deverá ser verticalizada e atrairá o comércio. O Pão de Açúcar, por exemplo, tem uma grande área entre a Morato e a Avenida Eliseu de Almeida e só está esperando o início das operações do metrô para começar a funcionar."Para o Serviço Social do Comércio (Sesc), que atende mais de 1 milhão de pessoas por mês no Estado, ter uma estação de metrô por perto na capital é fundamental. "É um instrumento de apoio. Os planos do metrô são sempre analisados no processo de decisão sobre onde abrir um Sesc", afirma o diretor de Planejamento da entidade, Luiz Wilson Pina. O Sesc está erguendo duas unidades, perto do metrô Santana e nas imediações do Largo da Batata, onde ficará uma estação da Linha 4, e vai definir a localização de uma terceira - os projetos, já aprovados, ficam perto da Estação República, no centro, e do Largo 13, em Santo Amaro."O metrô é condição de valorização de um empreendimento e um facilitador do negócio", diz Roberto Amorim, gerente de Projeto do Panamérica Park, empreendimento comercial ao lado da Estação Santo Amaro, com 9 edifícios de escritórios e 1 de serviços, por onde circulam 3 mil pessoas diariamente. "Um conjunto com este perfil sem uma estação próxima não poderia ser executado", afirma. A empresa faz atualmente um estudo de todo o sistema de transporte para desenvolver novos projetos - desta vez, residenciais.DemoraO fato é que, hoje, basta anunciar uma linha para o mercado imobiliário se movimentar. O efeito só não é mais perceptível porque, na maioria dos casos, o metrô corre atrás do prejuízo, ou seja, é lançado em áreas já bastante urbanizadas, onde há carência de transporte público. A demora nas obras também pesa contra. No caso da Linha 4, esse fator foi agravado pela suspensão da licitação, determinada na semana passada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) - a Companhia do Metropolitano recorreu e a decisão sairá na quarta-feira. "Ninguém quer ter uma obra na porta de casa por anos", diz Sérgio Vieira, vice-presidente do Secovi, sindicato da habitação, e da Imobiliária Coelho da Fonseca. "Para causar impacto real na venda, o metrô tem de estar pronto."Vieira afirma que, além disso, o metrô não é um fator de valorização para empreendimentos residenciais destinados à classe A. "Em certas regiões, o metrô até desvaloriza o imóvel por ser foco de circulação de pessoas e atrair um tipo de comércio que não interessa ao bairro. O metrô é um fator de desenvolvimento mais voltado para a classe média e para empreendimentos empresariais e comerciais."Para muitos paulistanos, porém, poder dar-se ao luxo de deixar o carro na garagem é um atrativo irresistível. Todos os dias a estudante Valéria Kazzas pega o metrô na Avenida Paulista até a construtora onde trabalha, próxima da Estação Belém. À noite, segue para a Ana Rosa, perto da Escola Superior de Propaganda e Marketing, onde estuda publicidade. "Não tenho intenção de andar de carro, o trânsito aborrece", diz Valéria, que nos fins de semana utiliza o sistema para ir aos cinemas da Paulista ou ver exposições de arte na Pinacoteca ou no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro.Obras da Linha 4 do Metrô de SP causam polêmica entre moradores

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