Novas missões ministeriais

As decisões já tomadas em relação à composição da primeira equipe ministerial do futuro governo Dilma Rousseff ainda guardam indefinições na configuração de algumas pastas. As escolhas de Paulo Bernardo para as Comunicações, de Gilberto Carvalho para a Secretaria-Geral e da jornalista Helena Chagas para a Secretaria de Comunicação da Presidência se inserem nesse contexto.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

A principal missão de Bernardo será a condução do programa de ampliação da banda larga, uma obsessão da presidente eleita, mas também a regulação da mídia, cujo debate precisa ser desvinculado de qualquer proposta de controle de conteúdos, sempre mencionado pelo governo no mesmo contexto do marco regulatório. Nas Comunicações, com Bernardo, o tema perde o tom ideológico que lhe era emprestado pelo ministro Franklin Martins e ganha conotação técnica.

Há ainda quem defenda no ambiente de transição que a gestão da verba publicitária, hoje na Secom, fique sob responsabilidade do futuro ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete de Lula. O que decretaria a saída do governo de Ottoni Fernandes, braço direito de Franklin Martins, embora também exista quem defenda sua permanência com a estrutura atual. A Helena Chagas caberia as relações entre governo e mídia.

Ainda que a gestão da verba publicitária não migre para a Secretaria-Geral, a preferência é que a Secretaria de Comunicação se ocupe restritamente das relações entre a mídia e a Presidência.

Dobradinha

Um dos cenários esboçados por Dilma Rousseff contempla a dobradinha de petistas Paulo Bernardo e Aloizio Mercadante na condução do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O programa seria desenvolvido pelo Ministério das Comunicações, sob o comando de Bernardo, com um braço na pasta de Ciência e Tecnologia, dirigida por Aloizio Mercadante. Menina dos olhos de Dilma, o programa pretende universalizar os serviços de internet rápida no País. A meta para 2011 é atender mais de mil municípios, com tarifa mínima de R$ 15.

Mais cota

Um aliado de peso já avisou ao PT que, se quiser transformar o senador reeleito Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) em ministro, para que seu suplente - o presidente da legenda, José Eduardo Dutra - vire senador, não será na cota do PSB. O mensageiro argumenta que o principal beneficiado com a artimanha será o PT, mais que o PSB, já que Dutra assumiria um mandato de senador sem nenhum voto, e ainda poderia se tornar líder do governo na Casa.

Má lembrança

Preocupado com a provável reeleição de José Sarney à presidência do Senado, o PT já cogita não pleitear a Primeira-Secretaria - que administra os recursos da Casa, historicamente controlada pelo DEM - para reivindicar a vice-presidência. O partido que elegeu a segunda maior bancada acha que Sarney estará mais ausente que presente nos próximos dois anos, por causa dos problemas de saúde. Nessa hipótese, prefere assumir a vice e não perder o controle das votações a correr o risco de ver um adversário na cadeira. Não foi boa a experiência com o tucano Marconi Perillo na vice-presidência da Casa, repete sempre o presidente Lula.

A tiracolo

Um grão-petista aposta que Dilma não escala o ministério antes do dia 20. "É muito aliado para acomodar e descontentes demais para consolar", diz ele.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.