Nove acusados por morte de chinês são condenados no Rio

Nove dos onze acusados pela morte do comerciante chinês Chan Kim Chang foram condenados nesta quarta-feira pela 4.ª Vara Federal Criminal do Rio. Chang foi preso em flagrante no Aeroporto Internacional Tom Jobim, em agosto de 2003, quando tentava embarcar para os Estados Unidos com US$ 30.550 não declarados à Receita Federal. Conduzido pela Polícia Federal ao Presídio Ary Franco, ele morreu dias depois em conseqüência de torturas. A versão oficial, que não foi aceita pela Justiça, era de que o próprio Chang teria causado as lesões que o mataram.Dos condenados, seis são agentes penitenciários e três são detentos. A pena mais severa foi aplicada ao agente Éverson Azevedo Motta, condenado a 18 anos de reclusão. Na sentença do juiz Alexandre Saliba, Motta é classificado como o "líder da sessão de tortura". Sarmento foi condenado a 15 anos de prisão. Segundo testemunha, junto com Motta e o agente Carlos Alberto Rodrigues, ele atacou Chang com tapas e socos no rosto, braços, pernas e costelas. "Mostra-se de clareza solar o fato de que Ricardo Sarmento efetivamente torturou a vítima, tanto dentro da sala de disciplina quanto fora", concluiu o juiz.Condenado a 15 anos de prisão, o agente Ricardo Duarte Pires Valério, segundo a sentença, "ajudou a arrastar Chang pelos diversos locais em que a tortura se desenrolou". Já os agentes Carlos Alberto de Souza Rodrigues, Raul Broglio Júnior e Carlos Luiz Correia receberam pena de quatro anos e meio de prisão por terem se omitido. Os presos Eduardo Nunes de Mo, o Duda, Paulo Sérgio de Araújo, o Triqui Triqui, e Cláudio Pereira da Costa, o Gordinho, foram condenados a 13 anos cada um por terem participado do espancamento.O agente penitenciário Denis Gonçalves Monsores e o diretor do presídio, major Luiz Gustavo Matias da Silva, foram absolvidos. O primeiro não estava no Ary Franco quando o crime ocorreu e, portanto, não teve participação. O juiz considerou também que não há provas contra o diretor.

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