Nove grifes desfilam desde os primórdios do evento

Entre as que integram a SPFW há 13 anos estão Alexandre Herchcovitch e Forum Tufi Duek

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Passaram-se 13 anos desde que Paulo Borges, organizador da São Paulo Fashion Week, abriu o calendário de moda brasileiro com o então Morumbi Fashion, na época mambembe, mas com parceiros decididos a mudar o cenário. Das 40 marcas que desfilam nesta edição na Bienal, no Ibirapuera, só nove estão com Borges desde o início. Entre elas, Alexandre Herchcovitch e Forum Tufi Duek, que desfilaram ontem em grande estilo. E não foi só o evento que mudou. As marcas que resistiram nas passarelas também se adequaram, com novos estilos e mais fôlego comercial. Confira o especial do SPFWAté o irreverente Herchcovitch, famoso por esconder as caras das modelos e carregar no preto, ontem surpreendeu com um dos desfiles mais leves e coloridos de sua história. Foi ovacionado. Para continuar competitivo no mercado, ele vendeu a marca para a holding InBrands, que se associou à Ellus no licenciamento do jeans. "É uma área que exige tecnologia e estrutura de produção específicas", diz Adriana Bozon, diretora de Estilo da Ellus, que também está no evento desde o início e desfila hoje. Nos anos 90, a Ellus ganhou o público jovem com jeans despojados. "Nosso carro-chefe continua sendo o jeans. Mas investimos muito na criatividade e profissionalizamos a estrutura." A Ellus passou a ser uma marca para um público que está por volta de 30 anos. Para os consumidores de 20, foi criada a 2nd Floor. "Não é fácil encarar a SPFW. Você precisa estar preparado não só para o desfile, mas para atender ao mercado nacional e aos próprios pontos de vendas", diz Eduardo Pombal, diretor de Criação da Forum, há 12 anos na grife, e que estreou ontem como estilista da marca. Quem desfila agora não é a Forum, mas a Forum Tufi Duek, mais refinada. "Aqui vendemos conceito e glamour. Mesmo quem não compra peça de desfile, só calça jeans, leva para casa esse glamour." Para o desfile de ontem, Pombal buscou inspiração no fundo do mar e trouxe, além do preto e do branco, pink, azul e amarelo fluorizados, bem como estampas de peixes. O segundo dia da SPFW, aliás, foi marcado por grifes poderosas. Começou no Shopping Iguatemi, com a Iódice apresentando um verão refinado, com decotes, transparências e pérolas, numa cartela de cores enxuta. Na Bienal, a Maria Bonita foi à feira livre: a estilista Danielle Jensen soube combinar cores intensas e simplicidade dos materiais. Em seu aplaudido desfile, Herchcovitch soltou a criatividade - da pegada suave das construções de cetim prata e rosé ele foi aos vestidos e jaquetas em tons intensos e mangas infladas. Também transformou parte das peças em quadros, com belas composições .A Cori mostrou modelos leves, acinturados e com volume, que valorizam a silhueta. A Huis Clos seguiu com proposta rejuvenescedora para o verão, mostrando peças curtas, cavas e balonês. O macacão - cruel para o corpo feminino - surge com força. Cortininhas e estampas, marcas registradas das coleções da Cia. Marítima, ficaram em segundo plano no verão 2010. A marca de moda praia de Benny Rosset propõe uma coleção que flerta com o glamour, com muitos maiôs, drapeados, collants de um ombro só e acessórios dourados. Na cartela de cores, tons intensos. COLABORARAM DEBORAH BRESSER, ANDRESSA ZANANDREA, EDUARDO DIÓRIO E ADRIANA DEL RÉ, ESPECIAL PARA O ESTADO1. ALEXANDRE HERCHCOVITCH - Como se as roupas fossem quadros, o estilista mostrou no desfile belas composições de cores, pintando formas abstratas sobre o branco 2. CIA. MARÍTIMA - A marca propõe uma coleção que flerta com o glamour, com drapeados e acessórios dourados 3. CORI - A leveza deu o tom da coleção, com bermudas e vestidinhos que valorizam a silhueta feminina

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