Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Nove líderes de facção criminosa serão transferidos de Manaus para presídios federais

Número de presos que serão levados para penitenciárias de segurança máxima pode chegar a 20, segundo governador do Amazonas, Wilson Lima

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 09h10
Atualizado 28 de maio de 2019 | 15h23

Após briga de facção que deixou 55 mortos em quatro presídios de Manaus em menos de 48 horas, nove líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN) serão transferidos para presídios federais de segurança máxima esta semana. A transferência foi confirmada pelo Ministério da Justiça. O número pode chegar a 20, segundo o governador do Estado Wilson Lima (PSC). 

"Estamos fazendo um trabalho de investigação e é possível que haja mais de 20 líderes nesse grupo criminosos. Já conseguimos a identificação de nove. Nove estão confirmados e devem ser transferidos ainda esta semana", disse Lima em entrevista à Rádio CBN

Segundo Lima, 200 presos foram retirados das celas e isolados para que mais mortes sejam evitadas. "Conversei ontem (nesta segunda-feira, 27) com Moro, que está encaminhando uma força tarefa ao Amazonas. Já tem uma equipe precursora aqui. Vinte homens devem chegar nesta terça. Até o fim da semana a expectativa é que 100 homens estejam aqui", afirmou o governador.

Ainda de acordo com Lima, a situação nos presídios de Manaus se diferencia dos episódios de violência no sistema penitenciário ocorridos em 2017.

"Em 2017, houve rebelião, agentes penitenciários que foram feitos reféns. Houve entrada de armas e fuga de presos. Este ano aconteceu algo atípico, que nunca havia acontecido no estado do Amazonas, que foi o ataque dos internos que aconteceu durante visita de familiares. Alguns parentes chegaram a ver os presos morrendo", disse.

'Providências adicionais'

Em nota, o presidente do Conselho Nacional de Justiça, Dias Toffoli, lamentou as mortes no sistema prisional do Amazonas que resultaram na morte de 55 pessoas nos últimos dois dias. 

"O CNJ está acompanhando o desdobramento dos fatos e das medidas corretivas tomadas pelas autoridades locais e determinará providências adicionais caso necessárias", informou o órgão em nota. "O CNJ esteve recentemente no estado para se colocar ao lado do poder público local na construção de iniciativas estruturantes para enfrentar situações como a superlotação e a violação direitos, causas que levam à repetição dos episódios de violência nos presídios."

Massacre

As execuções ocorrem em meio a uma disputa entre os líderes da facção José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, e João Pinto Carioca, o João Branco. Ambos estão em presídios federais. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública enviou tropas de reforço.

Apenas nesta segunda, agentes penitenciários encontraram 40 presos mortos durante vistorias nas quatro unidades, a maior parte por asfixia. Quatro desses corpos estavam no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). No domingo, uma briga entre internos deixou 15 mortos durante o horário de visita dos familiares. Todos os executados no domingo seriam alinhados a Zé Roberto da Compensa.

O ataque desencadeou confrontos dentro das celas no Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (5 óbitos), na Unidade do Puraquequara (6 vítimas) e no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat, 25 mortos). Há relatos de que tentativas de homicídio foram flagradas por agentes penitenciários em vistorias.

Oficialmente, a administração estadual não reconhece a FDN. Segundo o governo, uma dupla de detentos tentou fazer dois funcionários reféns, mas não teve sucesso e foi contida a tiros. Não houve agentes penitenciários ou parentes de presos feridos, conforme o Estado. 

No Compaj, na frente de familiares, presos foram mortos com escovas de dente e asfixiados com golpes “mata-leão”. A chacina em dia de visita descumpriu uma regra entre os criminosos, segundo o secretário de Administração Penitenciária do Amazonas, Marcus Vinícius de Almeida. “Foi a primeira vez no Estado (que houve mortes durante o horário de visita).”

As escovas de dente foram raspadas até ficarem pontiagudas, segundo o secretário. Entre os mortos encontrados no dia seguinte, a maior parte foi enforcada. Segundo o governo, as escovas foram retiradas das unidades após o ataque.

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