Novo aeroporto é visto com ressalvas por experts

Prioridade deve ser a construção da terceira pista de Cumbica, segundo presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo

Alexssander Soares, Camilla Rigi, Eduardo Reina, F, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O anúncio de um novo aeroporto em São Paulo foi considerado como necessário, mas não "prioritário" por especialistas em segurança de vôo . O pacote de medidas para reduzir o tráfego aéreo no Aeroporto de Congonhas foi bem recebido, com a ressalva de que será necessário aguardar sua adoção para avaliar os resultados na prática. "A construção de um novo aeroporto em São Paulo é viável, mas a prioridade deve ser a conclusão do terceiro terminal e da terceira pista do Aeroporto de Guarulhos", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O coordenador técnico da Agência de Desenvolvimento de Guarulhos (Agende), Marcelo José Chueiri, disse que essas obras, estimadas em R$ 2 bilhões, elevariam para 30 milhões a capacidade de movimentação de pessoas ao ano. Atualmente, Cumbica comporta 21 milhões, mas recebe, em média, 17 milhões de pessoas. "Mesmo sem as obras, de imediato, o Aeroporto de Guarulhos poderia absorver 4 milhões de passageiros transferidos de Congonhas", disse Chueiri. Ele considerou "animadora" a informação de que o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) determinou estudos para a ampliação dos aeroportos de São Paulo, incluindo o de Cumbica. Segundo Luiz Alexandre Lara, coordenador da Comissão de Assuntos Aeroportuários da Prefeitura entre 2001 e 2004, a existência de um quarto aeroporto na região metropolitana de São Paulo ajudaria a amenizar os problemas de Congonhas. "Esse terminal a ser construído precisaria ser destinado para aviões de grande porte ou então receber a aviação de pequeno porte que hoje está no Campo de Marte (na zona norte da capital), além de hangares e helicópteros. Assim, o Campo de Marte ficaria liberado para absorver o fluxo de aviação geral existente em Congonhas", disse Lara. A aviação geral representa hoje 18% das operações do aeroporto. "Essa transferência daria uma folga respeitável", afirmou o especialista. O Plano Diretor do Aeroporto do Campo de Marte já prevê a construção de uma segunda pista, com abertura do ângulo em direção ao Sambódromo e à Marginal do Tietê, fazendo uma espécie de V com a pista hoje existente. "Há segurança para operar aviação de média capacidade nesse local. E em um ano daria para fazer adaptações emergenciais para receber os passageiros", explicou. O comandante aposentado Carlos Camacho, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), afirmou que a redução dos vôos no Aeroporto de Congonhas vai melhorar as condições de tráfego em toda a área de controle de São Paulo. De acordo com Camacho, as restrições no número de operações e a limitação de peso dos aviões devem inviabilizar economicamente a utilização de grandes aeronaves em Congonhas. "Se o limite de peso for de 52 toneladas, será melhor voar com um Boeing 737-300 cheio que com um 737-800 quase vazio." O comandante alertou para o fato de o pacote do Conac não determinar a proibição de vôos das grandes aeronaves em dias de chuva. VÔOS EXECUTIVOS O vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano, criticou a proibição de vôos executivos em Congonhas."Transferir para Viracopos é totalmente inviável. Não há hangar, oficina de manutenção. Nem todas as empresas têm condições de se instalar lá. Gostaria de saber como vamos sobreviver." As empresas de táxi aéreo respondem por 170 pousos ou decolagens diários no aeroporto. Febeliano ressaltou que a proibição de operação do setor em Congonhas pode representar um corte de 1.700 empregos diretos. O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) não se manifestou sobre o pacote de medidas. A Assessoria de Imprensa do sindicato informou que o setor apóia as restrições, desde que seja para a melhoria da infra-estrutura aeroportuária de todo o País. KASSAB Em nota, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou que "todas as medidas para definir limites ao uso do aeroporto de Congonhas (...) atendem às expectativas da sociedade, desde que implantadas realmente". Kassab disse ainda que "torce" para o pacote do Conac não ficar "só no papel". Ontem, ele e o governador José Serra (PSDB) enviaram carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando providências para garantir a segurança dos vôos.

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