Novo arcebispo do Rio defende escola de formação política

O novo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Oscar Scheid, de 68 anos, disse nesta segunda-feira que a corrupção no Brasil é um "atentado direto ao povo". Ele prometeu que quando assumir o posto, dia 22 de setembro, se empenhará para criar na arquediocese uma escola de formação política, que terá a finalidade de formar leigos que possam difundir, em cargos públicos, princípios de ética e moral cristãos.Scheid ressaltou, porém, que isso não significa que a Igreja investirá na formação de políticos para defender seus interesses no Parlamento ou no Executivo. "Corrupção é um atentado direto ao outro, corrupção pública é um atentado direto ao outro na cara do povo", criticou Scheid, que não quis comentar se o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho, teria cometido esse atentado. "Não posso citar nomes, porque terei que dar uma lista de nomes", esquivou-se.Para o padre, há um erro básico na formação do brasileiro que facilita os desvios éticos, que é a falta de noção de um senso de bem comum. "A política é a arte do bem comum, mas nós, brasileiros, nascemos, crescemos e, infelizmente, vivemos com a falta do senso do bem comum e é lá que está o erro fundamental de todo os desmandos que virão depois", acredita. Segundo ele, é na família que se aprende o sentido do bem comum. "Ou se aprende na família ou não se aprende mais", disse.Show com conteúdoO novo arcebispo do Rio também faz ressalvas à pregação litúrgica dos padres cantores, como Marcelo Rossi e Zeca, ligados ao movimento carismático. Para ele, não é apenas com música que se poderá atrair os jovens de volta à fé católica. "Não é necessariamente a partir de pessoas que têm carisma de suscitar a atenção, porque canta, têm estilo para se movimentar, como o padre Macelo Rossi, abençoado padre, que vamos atrair os jovens. Não é o show que faz o jovem entrar na Igreja, mas o conteúdo, que está até no show", afirmou.Segundo o arcebispo, o jovem está a procura de algo mais substancioso. "Há uma certa carência de uma formação mais profunda do sagrado, do divino, enfim, daquilo que é transcendente e espiritual, e ele não se contenta só com a música porque a música vai e vem, se esvai no ar, e depois? Será que a mensagem fica?", questionou.FavelasDom Eusébio Oscar Scheid pretende conhecer pessoalmente as favelas do Rio. "Se até o papa foi à favela, porque o bispo não pode ir? A não ser que a polícia me bata, e eu já estou começando a falar mal da polícia, quero visitá-las" brincou.Para o padre, a violência e o tráfico de drogas não são problemas da Igreja, nem da polícia, mas de toda a sociedade. "Falta um pouco de organização da sociedade para combater esses problemas", avaliou.Scheid disse que quer manter um bom relacionamento com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), e com o prefeito César Maia (PFL), mas mandou indiretamente um recado ao governador. "Na administração pública, a questão da religião não deve ser preponderante, nem determinante, no mando da coisa pública", afirmou.

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