Novo Cebolão vai ampliar acesso da Castelo Branco à Marginal do Tietê

Governo negocia para que Viaoeste, que teve prazo de concessão prolongado, invista R$ 200 milhões em pacote

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

08 de fevereiro de 2008 | 00h00

Acabar com os enormes congestionamentos na chegada a São Paulo pela Marginal da Rodovia Castelo Branco. Esse é o objetivo do pacote de obras que a Secretaria Estadual dos Transportes negocia com a empresa Viaoeste, concessionária da estrada. O projeto prevê um complexo viário que vai se integrar ao atual Cebolão. Três pontes vão facilitar o acesso à Marginal do Tietê, a travessia sobre o Rio Tietê e a chegada à Avenida Gastão Vidigal, porta de entrada para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina, zona oeste. "As concessionárias serão responsáveis pelas obras. Não haverá gastos para o poder público", disse Arce. O pacote, em fase de conclusão, prevê investimento de R$ 200 milhões. Os elevados vão modernizar a Castelo Branco para atender à nova demanda e beneficiar os 8 mil motoristas que trafegam, por hora, pela marginal da rodovia, no horário de pico. De acordo com o secretário dos Transportes, Mauro Arce, "o novo complexo da Castelo seguirá os mesmos moldes do Complexo Anhangüera", cujo projeto foi lançado em 2007.O Complexo Castelo pode ficar pronto em 2012 ou ser adiantado e inaugurado no ano eleitoral de 2010. "Estamos em negociação com a Viaoeste", afirmou o secretário. A empresa não quis se pronunciar sobre o assunto.Uma ponte ligará o km 13 da marginal da Castelo, sentido capital, às imediações da Ceagesp. Outra vai ligar o km 13 da marginal da rodovia à pista expressa da Marginal do Tietê, sentido Ayrton Senna. E um terceiro elevado será erguido entre o atual Cebolão e a Ponte dos Remédios, cruzando a Marginal do Tietê e dando acesso à pista local, sentido Ayrton Senna. Quem vier da pista local da Marginal do Pinheiros, sentido Castelo Branco, poderá atravessar para o sentido Castelo da Marginal do Tietê. O programa incluirá a conservação das pistas da Marginal do Tietê desde a saída do Cebolão até o trecho após a entrada da Anhangüera. Esse trabalho será executado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), controladora da Viaoeste e também da Autoban, concessionária do Sistema Anhangüera-Bandeirantes.Na outra ponta da Marginal do Tietê, segundo Arce, a empresa que ganhar a concessão da Ayrton Senna deverá ser responsável pela manutenção do corredor até a Via Dutra. "Para o meio da Marginal ainda não está definido quem fará a conservação." Hoje, é a Prefeitura que faz a manutenção na Marginal do Tietê, onde circulam cerca de 750 mil veículos por dia, nos dois sentidos.A principal moeda de negociação do Estado com as empresas é a extensão do prazo de vigência dos contratos dos dois sistemas. Mas isso já foi feito. Em 14 de dezembro de 2006, no fim da gestão Cláudio Lembo (DEM), o governo prorrogou os contratos de 10 das 12 concessionárias. No caso da Autoban, o prazo foi estendido em 8 anos e 8 meses e, no da Viaoeste, em 4 anos e 9 meses. Os contratos acabariam em 2018. O governo estadual argumentou que havia necessidade de fazer reequilíbrio financeiro dos acordos, pois as empresas tiveram prejuízo de R$ 100 milhões, desde o início das concessões. A validade dessa prorrogação foi questionada pelo PT na Assembléia. No Ministério Público, uma ação investiga a legalidade da medida.Os novos complexos na saída das principais estradas que chegam a São Paulo não acabarão com os congestionamentos, na opinião do especialista em trânsito Horácio Figueira. Segundo ele, a Marginal do Tietê já opera além da capacidade. O advogado André Coelho espera que a obra facilite seu trajeto diário. "Perco mais de meia hora parado no fim da Castelo."

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