Novo chefe acusou Marzagão

Desafetos do ex-secretário ganham cargos na polícia

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

O delegado Roberto Fernandes, o homem que apurou por conta própria a ligação dos caça-níqueis com a polícia no interior do Estado, é o mais novo integrante da cúpula da Polícia Civil de São Paulo. Ele foi nomeado ontem pelo secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, para a direção do Departamento de Polícia Judiciária 8 (Deinter-8), responsável pela região de Presidente Prudente, onde estão presos os principais líderes do crime organizado de Estado.As provas recolhidas por Fernandes na região de Bauru serviram de base à operação da Polícia Federal que levou 33 acusados - sete policiais - para a cadeia. Ao todo, 52 pessoas foram denunciadas. O delegado acusou ainda o então secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, de ter "silenciado por completo" sem "tomar nenhuma providência no sentido de coibir os crimes". Marzagão nega.Além de Fernandes, outros desafetos de Marzagão receberam cargos importantes. A lista que marcou o retorno dos delegados inclui Nelson Silveira Guimarães, que assumiu a 5ª Delegacia Seccional de São Paulo (zona leste), e Massilon José Bernardes, que chefiará a Divisão de Investigações Gerais (DIG). A lista se completa hoje, com a nomeação de Aldo Galiano Junior para a 1ª Delegacia Seccional de São Paulo. Todos tiveram cargos na gestão passada, mas acabaram exonerados.Guimarães foi o homem que revelou, em 2008, a suposta ligação do então secretário adjunto da Segurança, Lauro Malheiros Neto, com o investigador Augusto Pena, preso por extorsão. Homem de confiança de Marzagão, Malheiros Neto deixou o cargo em meio a um escândalo de corrupção que acompanharia Marzagão até o fim da gestão, com denúncias de vendas de cargos e de sentenças para policiais corruptos.Também foi nomeado ontem o delegado Dejar Gomes Neto para dirigir o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), Antônio do Carmo Freire de Souza para o Departamento de Inteligência Policial (Dipol) e Licurgo Nunes Costa para o Deinter-4 (Bauru).

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