Novo chefe da Polícia quis sair na greve

No DHPP, novo delegado-geral reduziu homicídios em 71%

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

A escolha de Domingos de Paulo Neto como novo delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo preencheu três requisitos: um homem sem manchas na carreira, alguém capaz de dialogar com as entidades de classe da Polícia Civil e um policial adepto do uso da inteligência, do trabalho de informações para a resolução de crimes. A nomeação de Domingos, como é conhecido pelos colegas, foi anunciada ontem pelo secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto, que manteve Celso Perioli como superintendente de Polícia Técnico Científica."O desafio é grande, mas a equipe é boa. Espero contar com a união da Polícia Civil", disse ontem o novo delegado-geral. Domingos se disse surpreso. Após receber o convite oficial, ele e o secretário foram ao gabinete do atual delegado-geral, Maurício Lemos Freire, para contar a decisão. Freire levou os dois ao Conselho da Polícia Civil, para que os diretores fossem informados.Domingos não quis adiantar quais serão as suas prioridades, mas lembrou a redução de 71% dos homicídios na capital entre 1999 e 2008 como um exemplo. O novo delegado-geral foi um dos responsáveis pela política que levou à redução desse crime. Domingos foi nomeado diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em 2001. Criou o Plano de Combate a Homicídios, que deu ênfase à captura de acusados de assassinatos e não só ao indiciamento dos autores dos crimes nos inquéritos. Remodelou e ampliou o setor de inteligência policial para melhorar a prova que seria entregue à promotoria.DEMISSÃOEm 2007, Domingos assumiu o Departamento de Inteligência Policial (Dipol). Estava encarregado de um plano de mudança das funções do investigador de polícia para melhorar o atendimento da população nos plantões policiais, quando começou a greve da Polícia Civil. Entre seus subordinados estava o delegado Sérgio Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia.Em meio à greve, Domingos recebeu a ordem de transferir o delegado Roque. O então diretor do Dipol apresentou seu pedido de demissão. Domingos, que já havia sido alvo de perseguição por causa de suas posições em defesa da instituição no governo de Luiz Antônio Fleury Filho, se recusou a permanecer no cargo. "Não podia haver melhor escolha. Quem vai ganhar é a população de São Paulo. O Domingos é um delegado capaz e já deu provas disso, quando conseguiu reduzir os homicídios. A classe está radiante com a escolha", afirmou Roque.

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