Novo ciclo espera o PSDB

A se confirmarem a reversão do quadro sucessório em Minas e a solidez de Geraldo Alckmin em São Paulo, os dois Estados dão o oxigênio necessário à recomposição do PSDB após as eleições, numa eventual vitória de Dilma Rousseff. O raciocínio é comum aos aliados do governo e à oposição e projeta a figura do ex-governador de Minas, Aécio Neves, como o líder político em torno do qual se reunirão os tucanos no futuro.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

O cenário - tão hipotético quanto a vitória eleitoral de Dilma, é bom que se frise -, não exclui a força de Alckmin, se eleito governador de São Paulo, como tudo indica que será. Mas o processo político que inferioriza Serra na disputa presidencial e fortalece Aécio na estadual, pelo conflito que precedeu a escolha do candidato tucano, já cumpriu o papel de quebrar a hegemonia paulista no PSDB, independentemente até do resultado eleitoral.

Essa foi sempre a meta de Aécio, da qual jamais fez segredo. Ao exigir as prévias para a escolha do candidato do PSDB, seguia o script traçado quando ainda presidia a Câmara dos Deputados. Por isso, a recusa às prévias por parte de Serra é considerada hoje a "falha trágica" da ópera tucana, como sintetizou o deputado Miro Teixeira (PDT), da coligação adversária.

Dificilmente Aécio venceria as prévias, mas, uma vez realizado o ritual democrático da escolha, teria como justificar ao seu eleitorado a prevalência do candidato paulista e garantido seu engajamento numa campanha mesmo sem Minas como a protagonista principal.

Sul e Sudeste

A opção de priorizar o Sul e o Sudeste limitará ao Ceará, Sergipe e Pará as visitas de Dilma Rousseff a outras regiões até o final da campanha. No Pará irá às ruas com a governadora Ana Júlia Carepa (PT) que tem dura disputa pela reeleição com o tucano Simão Jatene, No Ceará, terceiro maior colégio eleitoral com 5,8 milhões de eleitores, dividirá com o desafeto de ontem, Ciro Gomes, o palanque da reeleição de Cid Gomes. Sergipe entra na rota a pedido do presidente do PT, José Eduardo Dutra, temeroso de que o atentado ao presidente do TRE, Luís Carlos Mendonça, ameace a vitória de Marcelo Déda (PT) no primeiro turno.

Último comício

O comando da campanha de Dilma Rousseff já bateu o martelo: o último comício será na Praça da Sé, no centro de São Paulo, provavelmente no dia 29 de setembro, uma quarta-feira, com a participação do presidente Lula. No dia seguinte, Dilma participa do último confronto com José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), no debate promovido pela TV Globo, considerado o mais decisivo.

Dossiês e sigilo

A oposição vai tentar ouvir, na próxima quarta-feira, o corregedor da Receita, Antonio Carlos D"Ávila, sobre a quebra de sigilos de tucanos. Além dele, convidou para depor o presidente da Previ, Sérgio Rosa, para falar sobre a "fábrica de dossiês" do PT denunciada pela revista Veja.

Liberdade relativa

Repousa desde fevereiro no Supremo Tribunal Federal outra Adi (a 4352), do deputado Miro Teixeira (PDT), que revoga mais 12 dispositivos restritivos em períodos de campanha, que vão desde a propaganda até a supressão de prerrogativas do Ministério Público de promover ações civis sobre matéria eleitoral. Miro, cuja fundamentação subsidiou a liminar da Abert que derrubou a proibição de humor na campanha, lembra que o Parlamento legislou em desfavor do povo, criando um prazo de validade para a liberdade de expressão, suspendendo-a durante o período eleitoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.