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Novo ciclone atinge sul do Brasil nesta quarta-feira

Chegada do fenômeno já causa alagamentos, e há riscos de deslizamentos; meteorologistas afirmam que ventos terão rajadas menos intensas que as da semana passada

Fábio Bispo, especial para o Estado

08 de julho de 2020 | 13h01

FLORIANÓPOLIS - Santa Catarina volta a ser afetada por um novo ciclone, que está na região sul do País e trouxe mais chuvas e ventos. O fenômeno ocorre uma semana após a passagem do ciclone bomba, que causou rastro de destruição e provocou ao menos 14 mortes nos Estados do sul. Na noite de terça-feira e na madrugada desta quarta, 8, o volume de chuvas passou de 200 milímetros em algumas regiões e já provoca alagamento. Ao menos 70 pessoas estão desalojadas no município de Praia Grande. A Defesa Civil do Estado emitiu alertas para riscos de deslizamentos

“Estamos vivenciando momentos difíceis em nosso estado com muitos eventos climáticos e epidemiológicos simultâneos. A covid-19, tornado, ciclone e agora alagamentos e riscos de deslizamentos”, comentou o Chefe da Defesa Civil do Estado, João Batista Cordeiro Júnior. Com a chegada do novo ciclone, o órgão intensificou o serviço de alertas por SMS para pessoas que estão nas regiões com maiores riscos.

A meteorologista da Epagri/Ciram, Laura Rodrigues, informa que o novo fenômeno que se forma no sul do país terá ventos menos intensos, mas que não descarta os cuidados. “Esse novo sistema vai afetar mais em termos de chuvas, concentradas no nordeste do Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina. Nessa madrugada foi registrado um volume bem grande em algumas regiões. Em poucas horas choveu o equivalente para um mês”, explicou.

Ainda nesta quarta, segundo a meteorologista, o Estado deve ser atingindo pelo vento sul, que “vai ajudar a limpar o tempo e vai trazer o frio”. No entanto, as rajadas devem ser bem menores que as registradas na semana passada, que marcaram em média 100 km/h na maioria das regiões.

“Aquele vento que destruiu casas e derrubou estruturas é um vento de tempestade. Ele ocorre em pouco tempo e causa muita destruição. Esse vento agora é o vento mais comum, mais constante, mas que também demanda atenção”, disse. “São ventos com características distintas”, explica.

Até a noite de terça-feira, o ciclone extratropical não estava tecnicamente formado, mas rajadas de 61km/h foram registradas no aeroporto de Porto Alegre (RS) e de 87km/h no morro da Igreja, na região serrana de Santa Catarina, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia. 

Prejuízos somam R$ 427 milhões

Santa Catarina ainda contabiliza os prejuízos deixados pelo ciclone bomba. Segundo a Defesa Civil, pelo menos 208 municípios sofreram algum dano e pelo menos 179 registraram os prejuízos no Sistema do Ministério da Integração Regional.

A agricultura foi a área mais afetada, com perdas avaliadas em mais de R$ 223 milhões. Outro setor bastante afetado foi o de geração e distribuição de energia elétrica, que soma mais de R$ 59 milhões em prejuízos.

Com a passagem do novo ciclone, o Estado tem intensificado o atendimento de itens humanitários, para evitar que as famílias fragilizadas sofram ainda mais danos.

Com o levantamento dos estragos, ainda há a expectativa de liberação de verbas federais para reconstrução de estruturas destruídas ou danificadas. Em passagem pelo Estado no último sábado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu que há verbas para ajudar Santa Catarina, mas que os recursos só serão liberados mediante a apresentação de um levantamento completos dos prejuízos.

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