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Novo ciclone passa por Santa Catarina nesta terça

Evento climático não é do tipo bomba e promete ventos menos intensos que os registrados na semana passada

Fábio Bispo, especial para O Estado

06 de julho de 2020 | 16h54

FLORIANÓPOLIS - O estado de Santa Catarina se prepara para um novo ciclone extratropical previsto para esta terça-feira, 7. O evento ocorre apenas uma semana após a passagem do ciclone bomba que deixou um rastro de destruição e causou pelo menos 14 mortes nos estados do Sul.

O novo ciclone deve ser menos intenso e não é classificado como ciclone bomba. De qualquer forma, o fenômeno vai passar por um estado com estruturas e casas ainda bastante abaladas pelo evento da semana passada. Segundo a meteorologista da Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram, os ventos nesta terça e quarta-feira devem ficar entre 60km/h e 80km/h, abaixo da média dos 100 km/h registrados anteriormente.

"Está todo mundo querendo saber se esse ciclone é tão intenso quanto o outro. Mas ele não é. A previsão é que seja bem menos intenso", explicou em comunicado emitido pelo órgão.

O novo sistema deve provocar chuva especialmente nas regiões do oeste ao sul de Santa Catarina, próximas à divisa com o Rio Grande do Sul. Na noite de terça e durante a quarta-feira, o ciclone favorece ventos mais intensos no litoral, com aumento na agitação do mar.

A meteorologista explica que ciclones extratropicais são sistemas frequentes na costa sul do Brasil, causando alagamentos e ressacas, especialmente nos meses entre abril e setembro. Em média, nessa época do ano, dois a três ciclones em cada mês se formam no litoral do Uruguai e Sul do Brasil, influenciando.

A Defesa Civil de Santa Catarina, que é responsável pela emissão dos alertas, informou que o fenômeno ainda está no estágio de observação, o primeiro dos três estágios de acompanhamento de fenômenos climático: observação, atenção e alerta.

Número de mortos subiu em SC

Santa Catarina ainda contabiliza os estragos causados pelos ventos da semana passada. Em Siderópolis, no sul do estado, os ventos chegaram a 168 km/h, batendo o recorde já registrado na estação.

O número de mortos também subiu em Santa Catarina. Até sexta, o estado contabilizava nove mortos, mas no fim de semana e nesta segunda,6, dois corpos que estavam desaparecidos foram localizados em Brusque e em Canelinha. Outras duas mortes que ocorreram em ações de reconstruções, em Garuva e Piçarras, também foram contabilizadas como causadas pelo evento. Em Santa Catarina, foram 13 mortes no total. Uma pessoa morreu na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

Pelo menos 204, dos 295 municípios catarinenses, relataram danos e 9 mil pessoas chegaram a ficar desabrigadas. Os prejuízos financeiros já somam R$ 277 milhões, segundo relatório mais recente da Defesa Civil.

No sábado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobrevoou áreas atingidas e prometeu a liberação de recursos mediante a apresentação de um levantamento dos estragos.

O vendaval também causou o maior acidente na rede elétrica de Santa Catarina e afetou mais da metade das mais de 3 milhões unidades consumidoras. No domingo, moradores realizaram protestos em diferentes regiões da capital cobrando restabelecimento dos serviços. Nesta segunda, cerca de 7 mil unidades ainda seguem sem energia.

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