Novo comando quer ação sem espetáculos

A Polícia Federal terá novo diretor-geral a partir de sexta-feira. Toma posse o delegado Leandro Daiello Coimbra, ex-superintendente regional da PF em São Paulo. Nos oito anos de governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), a PF, vinculada ao Ministério da Justiça, desencadeou sucessão jamais vista de operações de rua, muitas delas marcadas por cenas de cinema - foram 1.273 missões que resultaram na prisão de 15.754 suspeitos, dos quais 1.882 servidores públicos e 99 agentes e delegados da própria instituição.

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, já transmitiu sua orientação e o modelo da PF que quer nas ruas. "A Polícia Federal tem de ser polícia de Estado, não de governo, sem espetacularização de ações."

Com 12 mil policiais, dos quais 1,7 mil delegados, a PF "está endividada e tem contas em aberto com fornecedores", segundo relato de Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo.

Portugal sustenta que o orçamento da corporação sofreu um "corte muito grave" para 2011. "No ano passado houve contingenciamento de aproximadamente R$ 120 milhões e não tivemos reposição. O FBI tem um efetivo de 40 mil homens e orçamento de 40 bilhões de dólares."

Na carta ao ministro, o Sindicato dos Delegados lembra que, nos anos 80, recebiam Gratificação de Operações Especiais (GOE), incorporada aos proventos de aposentadoria e aos salários, por zoneamento. Nas regiões de fronteira ganhavam a mais o equivalente a 40% dos vencimentos. Nos portos, 30%.

"O governo Fernando Henrique (1995-2002) teve oportunidade de regular a matéria e aplicar novo dispositivo permanentemente estruturado, mas não o fez. Até hoje só se especulou sobre isso, enquanto nossos policiais estão morrendo na fronteira." / F.M.

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