Novo Cultura Artística terá sala única e garagem subterrânea

Reconstrução do teatro incendiado em agosto foi aprovada; mosaico será preservado

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) aprovou ontem a reconstrução do Teatro Cultura Artística, no centro, destruído por um incêndio em agosto deste ano. O novo espaço vai preservar apenas o grande mosaico de Di Cavalcanti e parte das fachadas e foyers originais. De resto, será um Cultura Artística totalmente novo, com direito a garagem subterrânea e uma única sala adaptável para receber espetáculos de dança, peças teatrais e até shows musicais.O teatro original, construído entre 1947 e 1950 pelos arquitetos Rino Levi, Roberto Cerqueira César e Fª Pestalozzi, possuía duas salas distintas - a Esther Mesquita, com 1.156 lugares, e a Rubens Sverner, com 339 lugares. O Estado apurou que o local terá agora apenas uma sala, com mais espaço para a platéia, para o palco e para o fosso, que poderá ser usada em diferentes eventos. Também serão construídos pelo menos dois andares para camarins, salas de apoio, espaços para ensaio e escritórios, além de um pavimento subterrâneo para estacionamento. Com projeto do arquiteto Paulo Júlio Valentino Bruna, que trabalhou com Rino Levi, o novo espaço ocupará dois terrenos - o do próprio teatro que pegou fogo e mais uma área anexa que já pertencia à Sociedade Cultura Artística. Ainda não há valores nem prazo para início das obras. A direção da sociedade espera entrar o mais rapidamente possível com um pedido no Ministério da Cultura para obter incentivos fiscais, a fim de bancar a construção - uma vez iniciada, ela deve demorar cerca de um ano e meio.Tanto o Conpresp quanto o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat) aprovaram o anteprojeto do Cultura Artística, desde que o mosaico de 48 metros de largura de Di Cavalcanti seja mantido. Por causa do incêndio, a peça exibe hoje uma rachadura, mas o escritório de Paulo Bruna acredita que poderá ser facilmente restaurada. Os dois órgãos do patrimônio ainda precisam aprovar o projeto executivo do Cultura Artística, que contará com todas as dimensões exatas da novo teatro e não tem data para ser concluído. PROCESSO DE TOMBAMENTOAinda na reunião de ontem, os membros do Conpresp abriram processo de tombamento dos espaços internos do Cine Ipiranga, no centro, e da antiga residência do maestro Furio Franceschini, no Ipiranga, zona sul. Esse processo é um expediente que assegura a preservação das construções até que o tombamento definitivo seja deliberado pelo conselho.Hoje abandonado, o histórico Cine Ipiranga funcionou por quase 62 anos no número 786 da Avenida Ipiranga. Foi inaugurado em 1943 com o filme Seis Destinos, de Julien Duvivier. Tinha 1.500 lugares, elevador para chegar aos assentos superiores e se dizia "o mais luxuoso da América do Sul" - por coincidência, também tem projeto do arquiteto Rino Levi, responsável pelo Cultura Artística. Já a antiga residência, na Avenida Nazaré, do maestro Furio Franceschini, que viveu ali até 1976, pertence atualmente à Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga, uma entidade beneficente. Franceschini foi o último mestre de capela da Catedral da Sé, formou o Coral Metropolitano de São Paulo e tem mais de 3 mil títulos em sua obra. O imóvel do século 19, apesar de abandonado, é uma preciosidade arquitetônica do Ipiranga e pode virar sede do Liceu de Artes Musicais Furio Franceschini.

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