Novo depoimento de Carla ao DHPP é adiado

O quinto depoimento da advogada Carla Cepollina, apontada por policiais que investigam o caso como a principal suspeita da morte do namorado, o coronel Ubiratan Guimarães, assassinado em seu apartamento no dia 9 de setembro, foi adiado para quarta-feira, 27, a partir das 14 horas, de acordo com a reportagem da Rádio Eldorado AM. O motivo, segundo Domingos de Paula Neto, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), local dos depoimentos, é a demora na busca de provas contra a advogada que foi feita ao apartamento no qual Carla mora com a mãe, a também advogada Liliana Prinzivalli, na noite desta segunda-feira, 25. Durante a busca, os policiais encontraram três armas - uma carabina, uma pistola 765 e um revólver calibre 38 - e a mãe de Carla, Liliana, foi autuada por porte ilegal de armas - ela não teria os documentos necessários para manter as armas em casa. Segundo Liliana, duas armas pertenceriam ao pai dela, avô de Carla, e apenas uma, a carabina encontrada na garagem do prédio, seria dela. A advogada foi liberada na madrugada desta terça-feira após pagamento de fiança, no valor de R$ 800. IndiciamentoApós o depoimento de quarta-feira, 27, Carla deve ser indiciada (acusada formalmente) por homicídio duplamente qualificado: motivo fútil (ciúmes) e impossibilidade de defesa da vítima. O indiciamento é a peça formal em que uma pessoa é apontada como autora do crime. O passo seguinte será a produção do relatório final do inquérito policial e seu envio ao Ministério Público Estadual (MPE).Com o relatório, o promotor Luiz Fernando Vaggione decidirá se denuncia ou não Carla à Justiça. Caso o faça, e a Justiça aceite seus argumentos, Carla será processada criminalmente e poderá ir a júri popular. No depoimento desta segunda-feira no DHPP interrompido por volta das 16h30, depois que Carla alegou cansaço, a advogada voltou a negar a autoria do crime, o que já havia feito nos três depoimentos anteriores. Ela deixou o local acompanhada de sua mãe, Liliana, e do advogado criminalista, Antonio Carlos de Carvalho Pinto.A presença do advogado Vicente Cascione, que representa a família de Ubiratan, no DHPP também impediu a conclusão do quarto depoimento de Carla nesta segunda. Liliana, a mãe de Carla, exigiu que o delegado mandasse Cascione exibir a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a procuração dos filhos da vítima para que pudesse permanecer na sala. Depois da discussão, o delegado Marco Antônio Olivatto parou o interrogatório e decidiu fazer uma busca no apartamento de Carla. Indícios incriminam CarlaMesmo acusada da morte, Carla deverá continuar solta. Segundo Cascione, é correto que ela responda em liberdade porque não oferece motivos para a prisão - ela entregou o passaporte à Justiça e não escondeu provas. A acusação, segundo o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, chefe da Divisão de Homicídios, é resultado de um conjunto de provas que ele não divulgou por causa do sigilo de Justiça. Mas Cascione listou vários indícios que ?se robusteceram e viraram provas?. Ela foi a última pessoa a estar com o coronel; só deixou a casa por volta das 20h30, quando o militar já estava morto. Ou seja, cerca de uma hora depois que vizinhos ouviram barulho semelhante ao de um tiro; não voltou ao local após saber da morte; atendeu ligações da delegada federal Renata Madi, o que teria motivado a discussão entre o casal.E, por último, segundo Cascione, Carla limpou os vestígios de sua presença. ?Ela tirou tudo o que havia da casa dele, como alguém que vai embora e não vai voltar nunca mais.?

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