Novo diretor da Funasa agrada a PT e ao PMDB

Com o vice-presidente Michel Temer e o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, à frente das negociações para evitar novas arestas e mais insatisfações com o PMDB, o governo resolveu um dos "vespeiros" com a indicação de Ruy Gomide para presidir a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2011 | 00h00

Apadrinhado pelo PMDB, Gomide foi chancelado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT. Ele comandou antes a Funasa em Goiás, por indicação dos deputados Pedro Chaves e Leandro Vilela, ambos do PMDB goiano. A disputa pela fundação, assim como pela Secretaria de Atenção à Saúde, desencadeou a primeira crise na base e a promessa de rebelião do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).

A Funasa tem em seu orçamento de 2011 investimentos previstos de R$ 1,3 bilhão e mais de 250 cargos de confiança. Depois de perder o embate, logo no início do governo - que queria manter Alberto Beltrame como secretário de Atenção à Saúde -, o PMDB acabou atropelado por Padilha, que nomeou Helvécio Miranda para o cargo.

Como a presidente Dilma decidiu suspender as nomeações para o segundo escalão no primeiro mês de governo, para esperar as eleições para a presidência e mesas da Câmara e Senado, o PMDB resolveu esperar.

Aviação. No conjunto de definições prestes a serem anunciadas por Dilma Rousseff está a criação da nova Secretaria de Aviação Civil. A ideia é nomear para o posto o atual executivo do Banco Safra, Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil e ligado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB).

A nova secretaria, com status de ministério, terá sob seu controle a Infraero, que administra os 67 aeroportos do País e tem para este ano um orçamento de R$ 2,2 bilhões. Maranhão chegou a ser cogitado para dirigir a Infraero, mas Dilma achou melhor entregar-lhe o desafio dos aeroportos, um dos principais gargalos para a Copa do Mundo de 2014.

A estrutura do novo órgão aguarda uma definição, a ser dada pelo ministro Palocci e a presidente. O governo tem pressa porque programou para a semana que vem uma série de reuniões, uma das quais sobre aeroportos, com os ministérios envolvidos com a Copa do Mundo. O assunto, no entanto, depende de muitas costuras políticas e pode não se resolver tão cedo.

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