"Novo pobre" de SP é jovem e tem 2º grau

A cidade de São Paulo começa a contar com um número cada vez maior de "novos pobres". Segundo um estudo realizado pelo secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, Márcio Pochmann, a velha pobreza caracterizava o trabalhador na condição de migrante, de pouca escolaridade, identidade não-negra e muitos filhos. A nova pobreza, ao contrário, inclui pessoas de maior escolaridade e qualificação profissional, menos filhos, identidade negra, sendo nascido na Capital. "Já não se pode analisar a pobreza como um fenômeno homogêneo", destaca o secretário. Na faixa de pobreza estão os trabalhadores com dependentes que recebem até três salários mínimos mensais.O estudo, iniciado em abril, tem por objetivo identificar o surgimento e consolidação das novas formas de pobreza, para que possa ser implementada uma nova estratégia pública de enfrentamento do problema. "As políticas sociais tradicionais não têm se mostrado muito eficazes, pois têm viés mais filantrópico e não conseguem realmente romper o ciclo da pobreza", observa Pochmann. Segundo ele, a nova pobreza é "completamente distinta da velha", o que inviabiliza a adoção de políticas isoladas.De acordo com o relatório, o novo pobre tem menos de 20 anos, possui nível médio de escolaridade (64,7%) e é, em sua maioria, mulher (71,9%). Além disso, 82,8% não têm nenhum filho. A pesquisa foi feita com base em uma amostragem de 11,8 mil famílias residentes em São Paulo, o que representa 3,8% do estoque de pobreza da cidade, estimado em 309 mil famílias ou 1,3 milhão de habitantes.Segundo Pochmann, a velha pobreza é reproduzida pelo mercado de trabalho, na medida em que as condições de emprego, geralmente precárias e de rendimentos insuficientes, não são capazes de tirar o trabalhador dessa situação. Na nova pobreza, o mercado de trabalho não só reproduz como produz a pobreza, já que o trabalhador, apesar de qualificado, não encontra um posto de qualidade nem salário adequado, e acaba fazendo "bicos" para sobreviver. Na opinião do secretário, os programas para combate à pobreza devem ser integrados. Partindo deste princípio, a Prefeitura irá aplicar de forma conjunta o programa Bolsa-Escola do MEC com o Renda Mínima, a partir de setembro. "O Bolsa-Escola sozinho não permite sair da linha da pobreza, por isso achamos que será mais eficaz se aplicado junto com o Renda Mínima, embora com cartões diferenciados", diz Pochmann.A prefeitura de São Paulo tem disponíveis R$ 68 milhões para gastos sociais este ano, dos quais só utilizou, até julho, R$ 2,6 milhões. Mas o secretário garante que toda a verba será aproveitada. Pochmann, no entanto, acredita que somente iniciativas sociais não bastam. "Se o Brasil não voltar a crescer a situação tende a se tornar muito complexa", analisa.

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