Novo prédio do TRT anima a Barra Funda

Mesmo não sendo magistrado ou advogado, Roque Neves de Oliveira, de 59 anos, estava ansioso pela inauguração do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, o "prédio do Lalau", na Barra Funda, zona Oeste. E a espera de quase nove anos só termina hoje, quando as primeiras pessoas começarem a andar de um lado para o outro nas rampas do complexo. Roque é taxista. Um dos vinte que tem direito a trabalhar no ponto do TRT, a partir de agora, um dos mais rentáveis da cidade. "Tinha dias em que o número de corridas não pagava a gasolina do carro. O movimento era quase zero", recorda-se o experiente taxista. Daqui para frente, ele e os colegas de ponto querem tirar o atraso. "Dizem que quando todas as varas estiverem aqui, o prédio vai receber mais de 20 mil pessoas por dia. Até que enfim vai melhorar", comemora Antônio Soares, de 37 anos, que como os outros fazia jornada extra para aumentar sua renda. A Prefeitura já autorizou a chegada de mais carros no ponto. Mas quando as 79 varas de 1ª instância estiveram funcionando na nova sede, o número veículos terá de ser ainda maior. Nos últimos meses, os velhos galpões da Barra Funda tornaram-se uma verdadeira coqueluche no mercado imobiliário. O metro quadrado ficou mais caro. E assim mesmo, quem está instalado na região espera ganhar dinheiro. Há dois meses, Armando Gomes, de 55 anos, conseguiu um terreno de 3 mil metros quadrados na Avenida Marquês de São Vicente, a 80 metros do fórum. Ele montou um estacionamento com serviço de manobrista e 300 vagas para carros. Até a semana passada, o cartaz anunciava preço único de R$ 8. Mas o proprietário já avisa: "O TRT não terá capacidade para atender o grande volume de carros. Se a demanda é maior do que a oferta, os preços sobem", diz. "Todos os dias, recebo pessoas se oferecendo para entrar de sócias no negócio ou mesmo querendo comprar o ponto", conta Gomes. A partir do dia 1º, o estacionamento já terá 70 mensalistas. A estimativa do proprietário é de que, em média, 600 veículos passem pelo local por dia. Apesar do aluguel R$ 40 mil, ele não tem dúvida de que terá lucro no fim do mês. "Pode escrever o que estou falando, este fórum vai transformar a Barra Funda", garante. A família do comerciante Marcelo Bernardo, de 37 anos, é dona de um galpão na região desde 1972. De olho no novo prédio do TRT, ele se apressou em abrir um bar na Avenida Marquês de São Vicente, há três anos. "Enquanto a obra esteve parada, ficamos aqui ´roendo o osso´", lembra o dono da Lanchonete Bernardo. Com a inauguração da nova sede da Justiça trabalhista, a lanchonete vai virar restaurante. O cardápio ganhou mais cinco pratos e a cozinha, mais funcionários. O preço das refeições varia de R$ 4,50 a R$ 10 por pessoa. "Tenho certeza de que, a partir de agora, nosso negócio vai pra frente", diz Bernardo. Para as imobiliárias, que durante anos ficaram sem compradores ou locatários para seus empreendimentos, a situação já se inverteu. Diversos escritórios de advocacia estão de deixando o Centro, onde estavam espalhadas as varas trabalhistas, e correndo atrás de salas nos poucos edifícios comerciais em torno do TRT. Vizinho do fórum, o Millenium Bussiness Center - um dos maiores conjuntos da área - já registrou aumento do número de consultas para suas torres.

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