Novo prefeito de Campinas é alvo de dois pedidos de investigação

Câmara avalia hoje se vai apurar denúncias contra Villagra; ele deixou cargo à disposição, se for condenado pela Justiça

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2011 | 00h00

Menos de dez minutos depois de Demétrio Vilagra (PT) tomar posse como prefeito de Campinas, na manhã de ontem, a Câmara Municipal protocolou dois pedidos de instauração de Comissão Processante (CP) para apurar denúncias contra o petista. Ele assumiu o cargo após o afastamento de Hélio de Oliveira Santos (PDT), no sábado.

Esses pedidos serão votados hoje. Para ser aprovada, uma CP precisa de apoio de 22 dos 33 vereadores campineiros. Vilagra responde a acusações do Ministério Público de supostos crimes de desvio de recursos, fraudes em licitações e formação de quadrilha. "Minha defesa já fiz à Justiça. Sou uma pessoa limpa, não devo nada, por isso vou aguardar a decisão da Justiça", disse o novo prefeito. "Amanhã ou depois, se eu for condenado, não precisa de Comissão Processante: eu mesmo coloco meu cargo à disposição. Mas tenho certeza de que a Justiça vai me absolver."

Base. A expectativa na cidade é em relação ao posicionamento dos vereadores que, embora fossem da base de Dr. Hélio, votaram pelo impeachment. Para a oposição, é natural que esses parlamentares concordem que Vilagra, sendo um dos acusados na Justiça, seja alvo de apuração no Legislativo. O petista teve a prisão decretada duas vezes e chegou a ser detido uma vez.

"O próprio Demétrio disse em seu discurso que tem interesse que as investigações sejam levadas adiante. Então, acho que o PT deve acompanhar o raciocínio de que as denúncias têm de ser apuradas também pela Câmara", afirmou o vereador Valdir Terrazan (PSDB), autor de um dos pedidos de CP. O outro foi protocolado pelo PSOL.

Após a cidade assistir ao desmantelamento de uma aliança de 11 partidos, além do PDT de Dr. Hélio, o novo prefeito afirmou que vai discutir com todas as siglas em prol da governabilidade. "Meu governo é outro governo", disse. Mas Vilagra afirmou que não vai negociar com a Câmara para ser mantido no cargo. "Estou pedindo um voto de confiança para fazer a transição democrática com normalidade. No meu governo não vai existir essa questão de fatiar cargos."

Vilagra desconversou sobre o apoio que tem recebido de lideranças nacionais. "Eu tenho certeza de que o Palácio do Planalto estará aberto sempre que buscarmos atender aos interesses da cidade de Campinas."

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