Novo quebra-quebra. Agora, em São Vicente

Cerca de 800 pessoas se envolveram em atos de vandalismo na madrugada de ontem; pelo menos cinco pessoas foram detidas

Rejane Lima, São Vicente, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2009 | 00h00

Outro ato de vandalismo assustou turistas e moradores da Baixada Santista. Dois dias depois da ocorrência na Praia Grande, a vizinha São Vicente foi vítima de situação parecida, embora em menor proporção. De acordo com o boletim de ocorrência de dano qualificado registrado na Delegacia Sede de São Vicente, 800 arruaceiros destruíram vidraças de carros e comércios nas praias do Gonzaguinha e da Biquinha, na madrugada de ontem.A confusão começou por volta de 1h50, quando os vândalos atiraram uma garrafa em uma viatura da Polícia Militar estacionada na praia do Gonzaguinha. O grupo teria saído de um show do cantor Belo realizado na praia do Itararé, distante 1 quilômetro. A PM chamou reforço e cerca de 15 viaturas foram até o local para dar apoio.O boletim de ocorrência informa que os vândalos quebraram placas, lixeiras, telefones e vidraças dos carros. Uma das vidraças frontais do supermercado Compre Bem, na Avenida Presidente Wilson, também foi estilhaçada. No entanto, a prefeitura de São Vicente informou que não sofreu prejuízos materiais e que o episódio não tem relação com o show da praia do Itararé. De acordo com a prefeitura, não houve nenhum incidente na apresentação, que terminou às 23h30.O comandante da PM da Baixada Santista e Vale do Ribeira, coronel Jorge Luiz Alves, dispersou o tumulto com equipamentos não letais. "Foi utilizado gás de pimenta, bombas de efeito moral, escudo, cacetete e balas de borracha. Um policial ficou levemente ferido." Segundo o comandante, os vândalos atiraram contra a polícia pedras, garrafas e fogos de artifício (inicialmente confundidos com bombas caseiras).O advogado aposentado Cláudio Ferreira Couto, de 73 anos, assistiu à confusão da janela do seu apartamento, no Edifício Mirante, no caminho da Ponte Pênsil. "Ouvi o barulho e fui para a janela, vi uma correria enorme e peguei o binóculo. Era muita gente, como nunca vi aqui em São Vicente. Eles vinham correndo e destruindo os carros estacionados." O advogado afirma que viu dez viaturas no local e os policiais utilizando gás lacrimogêneo. "O pessoal não está respeitando mais. Não tendo cultura e educação para respeitar, eles têm de obedecer pela força."Segundo a PM, não foi possível identificar no meio da multidão quem começou a provocação contra a polícia, mas cinco pessoas envolvidas com a baderna foram detidas. Quatro delas moram em São Vicente, incluindo dois menores. O outro mora na capital paulista. Eles foram encaminhados para a delegacia e dispensados após averiguação.O delegado assistente de São Vicente, Luiz Fernando Salvador, orienta que os proprietários de veículos e estabelecimentos comerciais que sofreram prejuízos compareçam à delegacia para registrar ocorrência. "Se os comerciantes tiverem câmeras que filmaram a ação, as imagens podem ajudar a identificar os envolvidos."Proprietária do quiosque Bacana Lanches, Lucia Diniz, de 37 anos, trabalhava na hora do quebra-quebra. "Estava tudo tranquilo até que, de repente, começou o corre-corre, com a polícia atrás. Foi um mar de gente correndo e gritando." Em cinco anos trabalhando na praia do Gonzaguinha, ela diz nunca ter visto parecido. "Os clientes saíram correndo sem pagar, daí fechamos tudo e fomos embora. Não tinha como trabalhar depois daquilo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.