Novo Senado terá perfil moderado

Das 54 vagas em jogo, 33 foram ocupadas por candidatos que nunca ocuparam[br]uma cadeira na Casa

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Com alto índice de renovação, o Senado que sai das urnas apresentará crescimento das bancadas do PMDB e PT, mas também consolidação do perfil mais moderado de seus representantes. A bancada do PT pula de 8 para 14 senadores e terá agora integrantes de perfil técnico e com atuação política forte nos bastidores.

Na prática, os eleitores deram um recado claro no último domingo. Desejavam mudar a cara do Senado, marcada por escândalos nos últimos anos, com gastos irregulares e secretos. Além disso, o excesso da presença de suplentes como titulares também desgastou a imagem da Casa e fez os eleitores darem 33 das 54 vagas em jogo para candidatos que nunca haviam ocupado uma cadeira no Senado.

Essa mudança de perfil fica clara na análise da nova bancada do PT, partido do presidente Lula. Se nas legislaturas passadas os parlamentares petistas tinham como principal marca a combatividade na atuação dentro do plenário, especialmente quando o partido era oposição ao governo federal, agora, depois de quase oito anos de administração de Lula, elegeram-se senadores com maior poder de articulação, como a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (SP), o ex-governador do Acre Jorge Viana e o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PE). A eleição de Costa garante sua reabilitação política junto ao eleitorado, depois de ter deixado o ministério, por conta da repercussão política do chamado escândalo dos Sanguessugas, envolvendo compras superfaturadas de ambulâncias.

No bloco técnico, o PT passa contar com a paranaense Gleisi Hoffmann, casada com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e com José Pimentel (CE), que deixou o Ministério da Previdência Social para ganhar uma vaga de senador. Além disso, o ex-deputado baiano Walter Pinheiro chega ao Senado com a credencial de especialização nas áreas de telefonia, comunicação e agências reguladoras.

Nos outros partidos governistas, o tom moderado também se acentuou. O PTB conseguiu eleger o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro, que foi o senador mais votado em Pernambuco. No Distrito Federal, o PSB elegeu o líder da bancada de deputados, Rodrigo Rollemberg, para um posto no Senado. Durante os últimos dois anos, Rollemberg foi um dos principais articuladores da base governista nas votações da Câmara.

Ciro Nogueira (PP-PI) também chega ao Senado depois de passar vários mandatos ocupando cargos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Muito próximo do governo federal, recebeu apoio decisivo para sua campanha diretamente do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

A ampliação da bancada do PMDB de 17 para19 senadores também agrega parlamentares com estilo mais de negociação. Nessa bancada de articuladores aparece o ex-ministro da Previdência Social e ex-líder da bancada do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira, candidato mais votado no Ceará. Além dele, o ex-governador do Amazonas Eduardo Braga é outro que estreia no Senado, reconhecido por sua capacidade de negociação com o governo federal na captação de investimentos para seu Estado.

Oposição. Até mesmo na oposição, o estilo moderado passará a ser mais marcante. Por conta da votação de domingo, PSDB e DEM perderão vários de seus principais representantes na Casa, como os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio Netto (PSDB-AM), Marco Maciel (DEM-PE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Efraim Moraes (DEM-PB). Esses parlamentares eram justamente os principais críticos do governo federal dentro do plenário, tendo participação importante na votação que derrubou a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Agora, os novos nomes da oposição também são mais reconhecidos por sua movimentação política do que pelo confronto com os adversários. O mineiro Aécio Neves (PSDB), possível pré-candidato à sucessão de 2014, aparece como líder natural da nova oposição e nunca entrou em choque direto com o governo federal ou com o presidente Lula. O tucano Aloysio Nunes Ferreira, eleito em São Paulo, possui as mesmas características.

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