Novo teste comprova que não havia cocaína em mamadeira

A inocência da dona de casa Daniele Toledo do Prado, acusada de matar a própria filha com uma overdose de cocaína em outubro do ano passado, foi comprovada mais uma vez. Um novo exame feito na presença de peritos e juízes foi realizado a pedido da polícia civil na semana passada em Taubaté, cidade do Vale do Paraíba, onde ocorreu a morte. "Existia um impasse sobre o laudo preliminar e este novo teste foi feito de novo e comprovou que não havia cocaína na mamadeira", explicou a advogada Gladiwa de Almeida Ribeiro.Dos exames realizados até agora somente o primeiro apontou cocaína. Por este motivo a Polícia Civil também vai encaminhar à perícia o kit usado no exame preliminar, feito no dia 29 de outubro, dia do flagrante. "Apreendemos o kit que será analisado. Precisamos saber se não estava vencido ou com outro problema", informou na tarde desta segunda-feira, 15, o delegado seccional de Taubaté Roberto Martins de Barros.Ele ainda ressalta que a contraprova não pode ser feita no mesmo material encontrado na mamadeira. "A rosca da mamadeira de onde foi tirado o material inicialmente acabou sendo lavada. Desta vez o teste foi feito em outra substância esbranquiçada que estava no bico da mamadeira", afirmou Barros.A certeza que a jovem de 21 anos não envenenou a filha Victória Iori do Prado, de 1 ano e 3 meses, reforça sua defesa a pedir na Justiça uma indenização por danos morais e materiais. Depois de presa Daniele foi colocada em uma cela com outras 19 detentas na cadeia feminina de Pindamonhangaba e acabou sendo espancada. Ficou com seqüelas no rosto e ouvido. "Ela precisa fazer exames para comprovar as conseqüências das agressões que sofreu e então vamos mover a ação indenizatória", disse a advogada.Até agora ninguém sabe porque a menina Victória morreu depois de seqüenciadas paradas cardíacas e convulsões. Família e polícia aguardam o resultado das vísceras, da urina e do sangue, que vão apontar as causas da morte.Em liberdade há mais de um mês - Daniele foi solta no dia 6 de dezembro depois que o primeiro laudo apontou negativo para cocaína - ela tenta voltar à rotina apesar dos desafios enfrentados na rua. "Não saio sozinha porque ainda me acusam, me apontam. Não consigo superar o trauma psicológico com tanta represália. Nem um emprego consegui ainda." Daniele espera que o exame que vai mostrar a causa da morte mude esta realidade.

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