Novo tiroteio impede acesso de bombeiros à Rocinha

Tensão ocorre 24 horas após menina de 12 anos ser atingida na barriga por bala perdida

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 13h39

RIO - Um intenso tiroteio entre policiais e traficantes ocorreu na favela da Rocinha, na zona sul do Rio, por  volta de meio-dia desta quinta-feira, 26. Por causa da troca de tiros, um transformador de energia foi atingido e pegou fogo.  Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi impedida por policiais militares de atender à ocorrência devido à falta de segurança na região. Segundo a Light, técnicos da concessionária também foram até o local e “não tiveram acesso à comunidade, por conta dos tiroteios”.

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“Os reparos só serão feitos quando houver condição de segurança para os técnicos trabalharem”, informou a concessionária, por meio de nota.  Segundo a Polícia Militar, a “orientação” foi dada aos bombeiros porque “o fogo já havia apagado e tendo em vista também que há uma operação policial em andamento na comunidade”.

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A Polícia Militar informou que traficantes atacaram policiais a tiros na Rua 4 e na localidade conhecida como Valão. O transformador incendiado fica na Rua 1. Criminosos também atiraram contra policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. O Batalhão de Ações com Cães (BAC) apreendeu maconha em três tabletes e 2,5 mil trouxinhas. Um suspeito foi preso.

MENINA DE 12 ANOS

O confronto ocorreu em menos de 24 horas depois uma menina de 12 anos ter sido atingida por uma bala perdida na Rocinha, quando saía de uma igreja. A bala perfurou a barriga e saiu por uma das nádegas da criança. Ela passou por cirurgia de mais de três horas no Hospital Municipal Miguel Couto e o seu quadro é considerado estável.

Testemunhas contaram que o tiro partiu da arma de um criminoso encapuzado que tentava assaltar um supermercado próximo. Ele teria disparado na direção do dono do estabelecimento, que tentou fugir do local.

A Rocinha permanece sob ocupação policial, devido à disputa pelo tráfico de drogas entre os bandos de Rogério Avelino da Silva, Rogério 157, e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso na penitenciária federal de Rondônia. Na segunda-feira, 23, um dos policiais militares que atuam na favela, o tenente David Ribeiro, de 30 anos, matou com um tiro a turista espanhola Maria Esperanza Ruiz, que estava em um carro com vidros escuros. A Polícia alega que o veículo não atendeu a uma ordem para parar, mas os ocupantes do automóvel negam ter visto a determinação dos PMs para que parassem.

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