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Tiroteio mata 3 em jogo de vôlei na fronteira entre Paraguai e Brasil

Vítimas são um brasileiro e dois paraguaios; ataque teria relação com guerra entre traficantes que resultou na morte de Jorge Rafaat

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2016 | 08h57

SOROCABA - Três pessoas foram executadas em uma quadra de vôlei na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com a brasileira Ponta Porã (MS), na noite de domingo, 19. Uma das vítimas é brasileira. A Polícia Nacional do Paraguai atribui os crimes à “guerra sem quartel” desencadeada por bandos criminosos que atuam na fronteira seca entre os dois países pelo controle do tráfico de drogas e armas na região e para preencher o espaço deixado pela morte do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, conhecido como “Rei da Fronteira”, vítima de uma emboscada no último dia 14.

As vítimas jogavam vôlei, na Vila Guilhermina, quando foram atacadas, por volta das 22 horas. Os criminosos estavam numa SUV Toyota Hillux e dispararam várias rajadas contra o grupo. O brasileiro Fabio Villalba Da Silva, de 23 anos, foi atingido e morreu no local. As outras vítimas foram identificadas como Esteban Benitez Espinoza, de 35 anos, e Nelson Benitez Espinoza, de 37, ambos paraguaios.

Perseguida pela polícia, a Toyota usada no atentado perdeu o controle e colidiu com o Bar Ramon, próximo da linha de fronteira. Mirna Lorena Colmán Benítez, de 28 anos, e Armenio Giménez Aguilar, de 32, cidadãos paraguaios, foram presos.

Outros dois ocupantes do veículo passaram a fronteira rumo ao Brasil. Antes de atacar o grupo na quadra de vôlei, os homens haviam disparado contra um comércio de pneus de Jorge Rafaat. O mesmo local havia sido atacado anteriormente por inimigos do “Rei da Fronteira”.

O governador da província de Amambay, Pedro González Ramíres, disse que a polícia local pouco pode fazer ante o poder de fogo dos narcotraficantes. Ele relatou que “a situação é de pânico” e que, para se fazer algo contra os criminosos, “tem de vir força especializada (do Paraguai) e atuar em conjunto com as forças brasileiras”.

Com a morte de Rafaat, um brasileiro de 32 anos seria o novo chefe do crime organizado em Pedro Juan Caballero. O brasileiro usa pelo menos três identidades e é conhecido como 'Gallant' e manteria conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo. A polícia não descarta também possível aliança do PCC com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, de onde procedia o suposto autor dos tiros contra Rafaat, o brasileiro Sérgio Lima dos Santos.

Em carta divulgada nesta segunda-feira, 20, a família de Jorge Rafaat isenta o traficante paraguaio Jarvis Chimenes Pavão, preso na Penitenciária de Tacumbú, de responsabilidade pela execução. Chimenes era rival de Rafaat. “Não acreditamos nos rumores de que o senhor Jarvis Pavão esteja envolvido no ocorrido, considerando que eles eram amigos, assim como seus filhos são amigos, sendo sócios de uma empresa produtora de eventos”, diz a nota divulgada em espanhol. No texto, a família pede ao governo paraguaio que garanta a segurança dos familiares e das empresas, lembrando que Rafaat pagava impostos e não tinha pendência com a justiça do Paraguai.

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