Novo tumulto em favela é controlado pela polícia

Um novo tumulto envolvendo moradores da Favela Chácara Boa Vista, que interditaram a Marginal do Tietê por cerca de oito horas até a madrugada desta terça, 25, em protesto contra a retirada das 230 famílias que vivem ali, foi rapidamente controlado pela Polícia Militar, nesta manhã. Segundo a Polícia Militar, os moradores estão na beira da marginal, mas não chegam a interromper o fluxo de veículos, ao contrário do que houve na noite de segunda, quando atearam fogo em pneus e pedaços de madeira para bloquear a pista expressa. Para evitar transtornos, a Polícia Rodoviária Estadual montou um desvio para os veículos que se dirigem para a Rodovia Ayrton Senna, no sentido Rio de Janeiro. Eles são orientados a seguir viagem pela Rodovia Presidente Dutra. Os manifestantes protestam contra a retirada ReintegraçãoAs famílias têm até o dia 31 de maio para retirarem seus móveis da favela. Após essa data, porém, ainda não está definido quando a Prefeitura cumprirá a ordem de reintegração de posse da área, retirando as famílias da favela. O prazo foi comunicado nesta terça-feira, 25, por representantes da Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme. Após essa data, a prefeitura poderá retirar qualquer morador para cumprir a ordem de reintegração de posse da área da favela, que ocupa cerca de 600 metros quadrados na saída do viaduto General Milton Tavares, na Marginal do Tietê, sentido Castelo Branco, na zona leste da capital.BloqueioAmeaçados de despejo, moradores da favela bloquearam a pista expressa com pneus e pedaços de madeira, por volta das 18h45. A Força Tática da PM foi acionada para conter os manifestantes, que protestavam contra a reintegração de posse da área da favela pela Prefeitura. Eles saquearam um caminhão que transportava madeira, usada para bloquear o trânsito. A pista só foi completamente liberada às 3 horas desta terça-feira.Usando escudos, cassetetes e bombas de efeito moral, os soldados da Força Tática dispersaram os manifestantes e, depois da chegada de reforços, entraram na favela. Os moradores atiraram pedras e acertaram um policial e o fotógrafo Sergio Barzaghi, do jornal Diário de S. Paulo, atingido na cabeça. Os moradores da favela afirmaram que a Prefeitura não lhes deu nenhuma opção a não ser deixar o local. "Recebemos uma carta de despejo e não deram nenhuma alternativa, só falaram que não vão indenizar ninguém", disse o líder comunitário João Lourenço do Nascimento. Ele disse que 230 famílias vivem no local. Segundo o subprefeito da Vila Guilherme/Vila Maria, Antônio de Pádua Perosa, a ocupação do local já dura um ano e logo no início foi feito um boletim de ocorrência. A Prefeitura entrou, então, com pedido de reintegração de posse na Justiça, concedido há dez dias. "Lançamos o primeiro panfleto avisando que as famílias teriam de sair da área há dez dias. A subprefeitura é obrigada a cumprir a ordem da Justiça. Nós oferecemos os abrigos da Prefeitura para a população, mas muitos não aceitam."

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