Novo tumulto no Rio deixa mais um morto

O fim de semana foi violento no Rio, com um saldo de pelo menos 12 mortos. A maioria das mortes ocorreu em conflitos entre policiais e traficantes, segundo a polícia. Hoje, o clima foi de tensão durante todo o dia na favela de Manguinhos, subúrbio do Rio, nas proximidades da Linha Amarela, uma das vias de maior movimento da cidade.A avenida Leopoldo Bulhões, que dá acesso à Linha Amarela, foi reaberta no início da manhã, após 16 horas fechada pela polícia. Ontem, uma intensa troca de tiros entre policiais e criminosos deixou um saldo de cinco mortos. Traficantes, com toucas do tipo ninja, incendiaram um ônibus e dois carros. Doze pessoas foram presas no local sob acusação de associação para o tráfico.O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou que o problema em Manguinhos "não é de polícia" e atribuiu indiretamente a responsabilidade à prefeitura do Rio. "De forma irresponsável, foi permitida uma urbanização imprópria no local", disse. Informou, porém, que vai aumentar o policiamento na região.O conflito em Manguinhos teve início depois que um grupo de policiais fez uma operação de busca na favela Mandela e apreendeu um revólver, uma metralhadora HK, cerca de cem papelotes de cocaína e trouxinhas de maconha.Novo tumulto - Em outro tumulto hoje, desta vez na avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao Rio, moradores de favelas tentaram fechar com paus e pedras pistas no sentido zona oeste e centro da cidade. O protesto foi organizado, segundo a PM, para evitar ações da polícia nos morros da região.Nesta madrugada, o policial militar Débison Roni Machado foi assassinado quando estava com a mulher em um bar em Japeri, zona norte. Ele foi encaminhado imediatamente para um hospital da região, mas não resistiu. No sábado, dois PMs haviam sido executados dentro de uma viatura quando faziam ronda em Nilópolis, na Baixada Fluminense.Além disso, foram registrados mais dois sequestros-relâmpago na cidade no fim de semana. No sábado, na Tijuca, zona norte - mesmo bairro no qual foi sequestrada na última quarta-feira a contadora da Petrobrás Elisabete Duarte Gama da Silva, assassinada em seguida -, o motorista de um Vectra foi rendido na Rua dos Araújos. Os criminosos tinham a cobertura de uma kombi. A vítima foi liberada duas horas depois na Penha, zona norte.

Agencia Estado,

07 de março de 2004 | 18h41

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