Novo tumulto no Rio fecha estação Central do Brasil

Segundo dia seguido de pane em trem irrita passageiros e causa confronto com Polícia Militar

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2009 | 17h33

 

RIO - A mais importante estação ferroviária do Rio, a Central do Brasil, de onde partem trens de cinco ramais, ficou fechada no fim da tarde desta quinta-feira, 8, por conta de uma pane em um trem. Passageiros ameaçaram quebrar a gare e houve confronto com a Polícia Militar. Foi o segundo dia consecutivo de tumultos no transporte ferroviário. Na véspera, passageiros atearam fogo a uma composição e promoveram quebra-quebra em quatro estações, revoltados com o atraso dos trens.

 

Nesta quinta, quando começou o tumulto na Central do Brasil, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar usaram gás lacrimogêneo, gás de pimenta e balas de borracha para impedir que os manifestantes quebrassem a gare. Os passageiros foram retirados da estação e um cordão de segurança foi formado do lado de fora da Central. Por várias vezes manifestantes tentaram invadir o prédio e os policiais usaram gás lacrimogêneo. Quatro passageiros e uma funcionária da Supervia foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar por intoxicação.

 

 

A estação foi fechada às 16h06, quando um trem vazio teve uma pane e quebrou ao chegar à Central do Brasil. A Supervia informou que os trens estavam partindo da estação de São Cristóvão e que os passageiros foram avisados do problema. Ainda segundo a concessionária, eles foram ressarcidos.

 

O subgerente de loja Bruno Santos Vieira, de 20 anos, já estava dentro do trem quando ouviu o aviso de que apenas as 19 horas o tráfego seria retomado. Segundo ele, a confusão começou porque a Supervia não quis devolver o dinheiro da passagem.

 

"A revolta, primeiro, foi por causa da falta de informação. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Depois não quiseram devolver o nosso dinheiro. Aí, realmente, os vândalos ameaçaram quebrar as coisas e a Polícia Militar chegou. Os seguranças da Supervia também bateram nos passageiros."

 

Uma diarista que se identificou apenas como Maria da Penha, de 47 anos, disse que teve de se esconder para não ser pisoteada. Segundo ela, até grávidas tiveram de sair correndo na hora em que a PM jogou spray de pimenta contra os passageiros. "Eu vi uma grávida, que deve estar para ter neném, correndo com a boca coberta por causa do cheiro forte. É uma falta de respeito o que fazem com a gente", queixou-se.

 

 

Para o comandante do 5.º BPM (Praça da Harmonia), tenente-coronel Carlos Henrique Alves de Lima, não houve excesso da Polícia Militar. "Excesso foram as pedras portuguesas jogadas pelos manifestantes contra os policiais; foram as lixeiras reviradas e as tentativas de quebra-quebra. Usamos o gás lacrimogêneo para afastar as pessoas e arrefecer os ânimos. Estávamos preocupados com o patrimônio da Supervia e o com os funcionários da concessionária", afirmou.

 

A Supervia informou que a estação foi reaberta às 17h40, mas o ramal de Saracuruna não voltou a operar. Os passageiros eram orientados a pegar o trem para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e fazer baldeação para a outra linha na estação de Triagem.

 

"Os problemas de ontem (quarta-feira) e hoje (quinta-feira) ocorreram porque a Supervia arrancou os desvios da linha. Ou seja, se o trem sofre uma avaria a concessionária simplesmente não tem como retirá-lo da linha sem interromper o tráfego. Isso é um absurdo e aumenta a insegurança na via férrea", afirmou o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir de Lemos.

 

A Supervia informou que um objeto atingiu a rede elétrica. O objeto quebrou o pantógrafo (equipamento que liga o trem à rede) e provocou o "desarme da energia, o que impossibilitou os trens de partirem da Central do Brasil". Ainda segundo a nota, a Supervia e a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Agetransp) estão investigando a "ocorrência."

 

Nesta quinta, passageiros revoltados pelo atraso dos trens no ramal Japeri-Central do Brasil interromperam o tráfego na linha férrea e promoveram quebra-quebra que se espalhou por quatro estações. Uma composição foi incendiada, roletas, bilheterias, alambrados e caixas eletrônicos foram destruídos. Onze pessoas ficaram feridas no tumulto. A confusão começou às 7h50 e apenas cinco horas depois o tráfego foi restabelecido.

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