Novos ataques deixam sistema prisional em alerta

O sistema prisional paulista voltou a entrar em alerta nesta segunda-feira, 7, por causa dos ataques e da expectativa de rebeliões nesta semana. Embora não admitida publicamente, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) adotou medidas para tentar impedir uma nova megarrebelião, como a de maio, quando 74 unidades enfrentaram motins.Diretores de penitenciárias da capital e do interior cortaram as folgas programadas, assim como a saída de agentes para licença ou férias. A intenção é vigiar os detentos com atenção maior para evitar que eles organizem os motins.No Oeste Paulista, diretores de penitenciárias foram orientados a realizar blitze nos próximos dias, até o fim de semana, na tentativa de dificultar ou prevenir possíveis rebeliões. Só nesta segunda-feira, dois presídios passaram por blitze.Na Penitenciária 1 de Mirandópolis, 170 homens da tropa de choque da Polícia Militar e da SAP descobriu que o camping armado pelos presos no pátio do presídio também servia para esconder terra retirada de um túnel cavado numa das celas. Quando os PMs localizaram, o buraco estava com mais de 10 metros de extensão em direção à muralha. Além do túnel, três celulares e um estilete de ferro foram apreendidos na blitz, que teve duração de 10 horas e vinte e sete minutos.Diretores da SAP não conseguiram comprovar nesta segunda-feira que a ordem para os novos ataques tenha partido do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, onde está preso o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.Para esses diretores, as maiores chances são de que as ordens tenham sido transmitidas para os militantes da rua por meio de visitas feitas na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde se encontram presos centenas de militantes do PCC.Ainda nesta segunda-feira, 40 detentos da P-1 de Mirandópolis começaram a ser transferidos. Os mais idosos e presos menos problemáticos foram os primeiros a deixar o pátio onde estão confinados desde 16 de junho. Com a transferência, que será concluída nesta terça-feira, restarão 1034 detentos no local. Outra blitz foi feita na P-1 de Presidente Venceslau, onde os agentes encontraram cinco portas de celas serradas.AgentesOs agentes penitenciários do Estado também ficaram em alerta com a nova onda de ataques. Segundo o diretor de saúde do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sinfuspesp) Luiz da Silva Filho, há orientações para que os agentes penitenciários não freqüentem lugares públicos. "Lugares como bares e boates devem ser evitados", afirma. De acordo com ele, durante a onda mais recente de violência foram feitas ameaças e agressões à agentes. "Agressões às famílias dos profissionais, fogo ateado em casas, entre outras ocorrências". Desde o início dos ataques, em maio, até o dia 7 de agosto, foram registradas 18 mortes de agentes penitenciários.

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