AFP Photo/Vatican Media
AFP Photo/Vatican Media

Novos cardeais representam a Igreja que Francisco quer

Papa nomeou treze novos cardeais neste sábado, 5; em comum, eles são representantes de periferias geográficas ou temáticas. Não há nenhum brasileiro entre os nomes.

Edison Veiga, especial para O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2019 | 16h24

Na tarde deste sábado, 5, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Papa Francisco presidiu o consistório para a nomeação de 13 novos cardeais da Igreja Católica. Dez deles são eleitores em um eventual conclave - por terem menos de 80 anos de idade. Em comum, são representantes de periferias - geográficas ou de acordo com suas atuações.

Não há nenhum brasileiro entre os novos purpurados. Dois são espanhóis - um deles com atuação no Marrocos -, dois são italianos - um deles trabalha em Angola, há ainda um português, um lituano, um tcheco, um cubano, um indonésio, um congolês, um guatemalteco, um inglês que atua no Egito e um luxemburguês. 

De acordo com levantamento realizado pelo professor Fernando Altemeyer Júnior, teólogo e filósofo, do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o papado de Francisco é o primeiro em que o colégio cardinalício tem, entre os eleitores do futuro pontífice, menos de 50% de europeus. Considerando os recém-nomeados, são 42,9% do Velho Mundo. Em 1903, quando ocorreu o primeiro conclave do século 20, os europeus representavam 98,4% dos purpurados eleitores. 

Dentre os novos cardeais, alguns nomes chamam a atenção pela forte atuação em temas que são caros ao papado de Francisco. Jesuíta assim como o papa, o tcheco Michael Czerny, criou uma organização de combate à epidemia da Aids na África e tem sido uma eloquente voz em defesa dos refugiados na atual crise imigratória europeia. Simbolicamente, mandou fazer a cruz que carregará com madeira de um barco que levou refugiados para a ilha de Lampedusa. Michael Fitzgerald, inglês, tem uma biografia dedicada ao diálogo inter-religioso. O atual arcebispo de Bolonha, o italiano Matteo Zuppi, é outro exemplo. Ele se destaca pelo acolhimento a católicos LGBT. 

Essa preocupação com os marginalizados foi evidente na cerimônia da tarde deste sábado. Em sua homilia, papa Francisco lembrou das “pessoas rejeitadas, as que não têm mais esperança”. “Nos evangelhos, vemos frequentemente Jesus sentindo compaixão por pessoas que sofrem. E quanto mais lemos, mais contemplamos e mais entendemos que a compaixão do senhor não é uma atitude ocasional e esporádica, mas é constante, de fato, parece ser a atitude do seu coração, na qual a misericórdia de Deus estava encarnada”, afirmou Francisco.

Dirigindo-se aos novos cardeais, o papa exortou-os a sentir compaixão pelo próximo. E cobrou deles consciência disso. “A consciência dessa compaixão de Deus está viva para nós? Não é uma coisa opcional, nem, eu diria, um conselho evangélico. Não. Este é um requisito essencial. Se não sinto o objeto da compaixão de Deus, não entendo o seu amor. Não é uma realidade que possa ser explicada. Ou eu sinto ou não. E se eu não sinto, como posso comunicar, testemunhar, dar?”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • Novembro Azul: entenda a campanha de prevenção do câncer de próstata
  • DPVAT: o que é e como funciona o seguro obrigatório?
  • Yuval Harari: “Algoritmos entendem você melhor do que você mesmo se entende”

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.