Novos projetos são feitos para reduzir consumo

Construtoras instalam sistemas de aquecimento solar e reúso de água

Rodrigo Gallo, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

Entre os empreendimentos que despontam na cidade, vários já são construídos de acordo com conceitos ecológicos. Esta é uma tendência que deve ganhar força gradualmente nos próximos anos, conforme observa o diretor da Empresa Brasileira de Estudo de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia. Segundo ele, a oferta de "prédios verdes" tem ganhado importância nos projetos das construtoras e incorporadoras, que se espelham no setor imobiliário dos Estados Unidos e da Europa. "Por ser um tipo de construção politicamente correta, do ponto de vista ecológico, veio para ficar no Brasil."Quem compra muitas vezes está até disposto a pagar mais. É o caso do analista de sistemas Rogério Leite da Conceição, 24 anos, que mora desde agosto no Mundo Apto Cambuci, da Setin, com a esposa Jany, 23. Apesar de ter pago entre 10% a 15% mais no imóvel, se comparado a um apartamento tradicional com a mesma metragem, o casal garante que os benefícios compensam. "Queríamos um apartamento ecológico pois é a melhor forma de garantir um futuro melhor", diz ele, convicto. "Há coleta seletiva de lixo em todos os andares e a idéia é vender o material para abater o custo do condomínio", afirma.Mesmo quem não conhecia o conceito de prédio ecológico resolveu adotar essa idéia, como fez Regiane Ruiz, de 29 anos, que se mudou para um apartamento de dois dormitórios, dois banheiros e varanda na Barra Funda, zona oeste, há menos de dois meses. Ela calcula que não pagou mais caro pela unidade e que só teve benefícios por ter feito essa escolha. "Procurava um imóvel e não conhecia esse conceito ecológico, com aquecedor solar e reúso de água. Comparei os preços com um imóvel comum e não vi muitas diferenças, então, resolvi comprá-lo."Já a professora de inglês Cristiane Tudda, 42 anos, aguarda com ansiedade o término das obras do seu imóvel, também em São Paulo, cuja entrega das chaves está prevista para dezembro.Como diferencial, o prédio é equipado com um sistema de reúso de água, além de ter coletores de energia solar - usado no aquecimento de água. "Hoje, moro em um prédio que tem quase 14 anos e sofremos as conseqüências do não pensamento ambiental: além dos desperdícios, o consumo de energia é muito alto", relata. Com o prédio ecológico, ela prevê gastar 80% menos na tarifa de luz.De acordo com a arquiteta Lucy Mari Tsunematsu, da Setin, os empreendimentos verdes possuem alguns detalhes muitas vezes imperceptíveis aos leigos, mas que representam um grande avanço na preservação ambiental. Entre eles está o sistema de reúso, que coleta a água usada nos apartamentos, por meio das tubulações, ?recicla? em uma central e, em seguida, redireciona o mineral para ser usado nos sanitários (veja no infográfico acima).Além disso, há também a instalação de torneiras com temporizador e chuveiros com redutor de vazão: um aparelho comum gera um consumo de 14 a 16 litros de água por minuto, enquanto o ecológico reduz esse volume para algo em torno de oito litros. "A fachada dos prédios também é diferente por não usa tinta, um material considerado perigoso. Usamos fachadas prontas: são painéis montados em fôrmas metálicas, que são coloridas com a fixação de pedras moídas."

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