Número de ataques diários recua em Santa Catarina

Facção criminosa promoveu 98 ataques pelo Estado nos últimos 16 dias

Júlio Castro,

14 Fevereiro 2013 | 16h44

FLORIANÓPOLIS - Cai a média diária de atentados em Santa Catarina. Nos últimos 16 dias de ações criminosas da facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC) foram contabilizados pela Policia Militar 98 ataques, sendo 37 contra ônibus. Nos primeiros oito dias, a média foi de quase oito ataques (7,85) contra 4,37 na outra metade do período. Uma queda de 44%, considerando o último ataque registrado em Tubarão, onde por volta da 1h15 desta quinta-feira um caminhão foi parcialmente destruído por um incêndio. Desde o início dos ataques, dia 30 de janeiro, o sábado, 2 de fevereiro, foi o que apresentou o maior número: 14, com seis ônibus incendiados. Até agora são 30 os municípios atingidos.

O recuo, conforme o comando geral da Polícia Militar catarinense se deve a várias ações desenvolvidas nos últimos dias, principalmente no período de Carnaval. A tenente coronel Claudete Lehmkuhl lembra que a notícia da transferência de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima intimidou a ordem de ataques que partiam de dentro dos presídios. Visitas de autoridades judiciárias às prisões também contribuíram. "Eles passaram a ser ouvidos e isso foi um atenuante à determinação dos ataques. Temos razões para acreditar que pararam as ordens de ataques que saiam dentro dos presídios", comenda Lehmkuhl.

Outro fator que contribuiu foi o expressivo número de prisões efetuadas. A PM contabiliza 52 adultos e 19 menores detidos e que tiveram participação direta nos atentados. Algumas das últimas ações criminosas, segundo a oficial, tiveram características diferentes de um atentado e foram praticadas por vândalos e aproveitadores da situação. Caso como a abordagem de bandidos contra um ônibus na quarta-feira, em Florianópolis, quando dois homens assaltaram o motorista e o cobrador antes de incendiar o parcialmente o veículo figuram entre exemplos destas ações.

A partir da decisão da transferência de mais de 20 presos ligados à facção criminosa PGC para presídios federais, a PM já tem definido um plano de ação para conter eventuais rebeliões ou atentados. A PM entende que a notícia não foi bem-vinda nos presídios. Os líderes das organizações não querem deixar o Estado para cumprir pena em unidades federais de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Um presidiário, por ocasião da primeira onda de atentados, em novembro do ano passado, chegou a dizer que a vida não teria mais sentido longe da família. O comando da PM não divulga a data, quantos e quais elementos serão transferidos por uma questão de segurança. O ministério da Justiça, representado pelo seu ministro José Eduardo Cardozo, em visita ao governador Raimundo Colombo, na noite de quarta-feira, reforçou toda e qualquer ajuda ministerial para conter a onda de violência em Santa Catarina e garantiu quantas vagas forem necessárias nas unidades de RDD.

A crise na segurança pública de Santa Catarina, gerada pela onda de atentados passa a afetar, ainda mais, a população. Trabalhadores do transporte público da Grande Florianópolis decidiram, em assembleia na manhã desta quinta, que a partir de sexta-feira, 15, os ônibus vão circular apenas no período das 6h30 às 19 horas, por tempo indeterminado. Liderados pelo sindicato da categoria (Sintraturb), os trabalhadores justificam a paralização parcial à falta de garantias de segurança dada pelo Estado. Os ônibus, até então, vinham circulando em horários reduzidos, alguns com escolta policial. O secretário de transportes de Florianópolis Valdir Piacentini considerou a decisão precipitada. "Eles estão dizendo que foi uma decisão unilateral. A prefeitura é contra e tem buscado soluções para que o transporte público atue dentro da normalidade", disse Piacentini, lembrando a decisão do prefeito César Souza Júnior que há uma semana autorizou a locação de 40 veículos para dar suporte com escolta policial aos ônibus em circulação.

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