Número de brasileiros repatriados cai até 90% na França

Média de barrados na entrada passou de 12 por dia para 2, depois que fiscais 'suavizaram' as análises

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo,

21 Julho 2009 | 08h05

A onda de repatriação de brasileiros no Aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaulle, em Paris, está próxima do fim. Depois de recusar o ingresso de cerca 300 brasileiros por mês no segundo trimestre do ano, os Ministérios da Imigração e do Interior da França cederam às pressões diplomáticas do Brasil e reduziram em até 90% o número de "recusas de admissão".

A mudança de postura foi sentida pelo Consulado do Brasil em Paris. Nos três primeiros meses de 2009, o número de barrados na principal porta de entrada do país triplicou. O pico aconteceu no início do segundo trimestre do ano, quando uma média de 10 a 12 brasileiros era impedida de entrar no país todos os dias. Agora, a média fica entre um e dois, de acordo com a representação brasileira na capital francesa. "Tínhamos nos tornado a segunda nacionalidade mais barrada na França, atrás apenas dos chineses. Agora melhorou muito", disse ao Estado a cônsul Maria Celina Rodrigues.

CONVERSAS

Apesar da mobilização do governo brasileiro, o tema não foi tratado nos encontros bilaterais entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy. O cenário de hostilidade - que vinha resultando em uma onda de protestos de turistas brasileiros, como o liderado em março pela professora universitária Solange França, docente da Universidade Estadual de Santa Cruz, barrada em Paris - foi revertido por pressão diplomática.

Nos encontros no Ministério da Imigração, a cônsul expressou a insatisfação de Brasília. "Tivemos reuniões com autoridades francesas nas quais pedimos mais bom senso e maior discernimento na análise de cada caso", afirma Maria Celina. Entre os argumentos usados estavam a parceria estratégica firmada entre os dois países, a realização do Ano da França no Brasil e a contrapropaganda causada pelo rigor contra potenciais turistas. Desde a reunião, os dois governos passaram a controlar diariamente o número de brasileiros barrados no país, além de manterem contatos estreitos.

Nenhuma das exigências para o ingresso no país - seguro-saúde no valor mínimo de ? 30 mil, reserva em hotel ou atestado de acolhimento e mínimo de ? 50 por dia de estada - foi suspensa, mas a análise dos casos acabou "suavizada". Em lugar da repressão e dos maus-tratos, os oficiais de alfândega franceses agora se mostram capazes de atos como auxiliar turistas com documentação incompleta a obter um seguro-saúde ou um comprovante do endereço de permanência. "Nem o número do consulado era fornecido a quem era barrado", lembra a cônsul.

PROSTITUIÇÃO

Em Paris e em Brasília, o governo francês não comenta a nova conduta. Procurada, a Adidância de Segurança Interior da Embaixada da França não informa mais as estatísticas sobre a repatriação de brasileiros. "São dados um pouco especiais, que causaram polêmica", justifica o adido adjunto, que preferiu não ser identificado. "Mas estamos compartilhando informações." Um dos focos de colaboração bilateral será, segundo o Consulado do Brasil, a prevenção da exploração de pessoas, com especial atenção à prostituição. Os moldes desse acordo ainda vêm sendo negociados e não foram revelados pelas autoridades de nenhum dos dois países.

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