Gabriela Bilo/Estadão
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Número de casos de estupro no Brasil pode ser 10 vezes maior

Pesquisa do Ipea apontou que até 527 mil pessoas, por ano, dizem ter sido vítimas; vergonha e medo dificultam denúncias

Fábio de Castro e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no País. O dado da frequência de ataques sexuais ganhou destaque após a repercussão de estupros coletivos cometidos no Rio e no Piauí na semana passada e estampou cartazes em atos realizados em diversos Estados. O número, no entanto, é reconhecidamente subnotificado e, segundo especialistas, pode ser até dez vezes maior - estima-se que mais de meio milhão de mulheres, por ano, tenham sofrido algum tipo de violência sexual. A proporção, então, seria de quase um abuso por minuto.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do governo federal, estimaram, com base em dados de pesquisa feita em 2013, que 0,26% da população tenha sofrido algum tipo de violência sexual, porcentagem que equivale a 527 mil pessoas. 

A percepção se deu após aplicação de questionário no âmbito do Sistema de Indicadores de Percepção Social, com perguntas sobre o assunto. Do total de casos, apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia, reforçaram os pesquisadores. 

A razão para a subnotificação vai desde o constrangimento e medo à descrença de que o sistema de segurança possa oferecer solução e segurança à vítima. “Os números são bem maiores do que os que chegam à polícia, sem dúvida. As mulheres se sentem principalmente constrangidas em ter de passar pelo julgamento social e até mesmo das autoridades. Por isso, acabam não denunciando”, disse a promotora Maria Gabriela Prado Manssur, especialista no enfrentamento à violência contra a mulher do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Para a promotora, a falta de notificação representa um risco, já que um ataque inicial pode voltar a acontecer de forma mais grave, com perigo de resultar em feminicídio. “Não podemos deixar que a violência contra a mulher se torne algo banal. Os ataques representam um total desrespeito à liberdade sexual da mulher, e se mostram como uma forma de controle e opressão a esses direitos.”

A frequência de casos de violência sexual refletem, para Maria Gabriela, “um aspecto cultural de dominação”, mais do que um simples desejo do homem. “Que esse inconformismo sirva para unir a sociedade em busca de medidas eficazes contra os crimes”, disse.

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