Número de cidades afetadas pela seca duplicou desde setembro

Quase mil cidades dá Região Nordeste e do Norte de Minas Gerais decretaram estado de emergência ou calamidade pública por causa da forte estiagem, que poderá transformar os primeiros três meses de 2003 nos mais secos dos últimos cinco anos. O número de municípios nesta situação duplicou desde setembro, quando o governo federal anunciou o lançamento de alguns programas emergências na região. Uma das cidades afetadas com o problema é Ceatés (PE), onde viveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A situação poderá se agravar nos próximos meses, já que diariamente em torno de 20 prefeituras entram com novos pedidos de decretação de estado de emergência ou calamidade no Ministério da Integração Nacional. O problema é mais sério no Piauí, onde 196 cidades se encontram nessa situação. O segundo Estado mais atingido é a Paraíba,com 161 municípios em sério risco e, depois, a Bahia, com 144. Em nove Estados e no Norte de Minas Gerais já são 959 cidades atingidas pela seca, conforme dados do final de dezembro.Segundo técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) do Ministério da Agricultura, os três primeiros meses do ano poderão ser difíceis para o sertanejo, devido à falta de chuvas no período do inverno e os efeitos do fenônemo ?El Niño?, que afeta o clima em todo o mundo. O problema atingiu cerca de 11 milhões de nordestinos em 1999, a última estiagem de grande vulto na região.O sertanejo convive com a seca há pelo menos três séculos e meio, quando foi registrada a primeira estiagem na região e foi tomada a primeira medida oficial para amenizar os efeitos do clima adverso entre a população. Em 1727, por exemplo, o rei de Portugal D. João IV, em Carta Régia, determinou que todos os nordestinos plantassem mandioca para a produção de farinha, uma forma de alimentar a população e mantê-la em atividade.Uma das vítimas da seca foi justamente o presidente Lula, que teve de abandonar o sítio Vargem Comprida, em Caetés (PE) e ir para São Paulo para fugir da estiagem, em 1952. No dia 31 de dezembro, quando o presidente se preparava para tomar posse, o Ministério da Integração Nacional decretou estado de emergência no município e em outras 17 cidades de Pernambuco. Um dos primos de Lula que ainda vive em Caetés, José Cazuca, já sente os efeitos da falta de água. Para tratar do gado, ele e sua mulher, Iranete, percorrem um longo caminho para cortar palma, a única vegetação que se mantém verde em alguns locais do Nordeste e serve de alimento para os animais. O Ministério da Integração Nacional informou que o governo está elaborando um plano emergencial para a região, mas ele ainda não foi definido pelo ministro Ciro Gomes.

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