Número de cidades em calamidade ou emergência no 1º semestre supera 2009

Neste ano, até dia 16 de junho, 1.635 munícipios decretaram portarias, contra 1.389 em todo o ano passado, de acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Municípios

Agência Brasil

23 de junho de 2010 | 17h29

Na última semana, enchentes em Alagoas e Pernambuco deixaram 44 mortos

 

BRASÍLIA - O número de municípios que decretaram estado de calamidade pública ou de emergência no primeiro semestre de 2010 já é superior ao total registrado em todo o ano de 2009. Foram 1.635 portarias de reconhecimento emitidas de 1° de janeiro a 16 de junho contra 1.389 em todo o ano passado. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com base nas portarias emitidas pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

 

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O estado de emergência é decretado quando há um reconhecimento pelo poder público de uma situação anormal, provocada por um ou mais desastres, que causa "danos superáveis" à comunidade afetada. Já a situação de calamidade é um reconhecimento de que há "sérios danos à comunidade afetada, inclusive à incolumidade ou à vida de seus integrantes".

 

A maioria das portarias emitidas em 2010 se referem a desastres relacionados às chuvas, incluindo enchentes, alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra, inundações, vendavais e granizo. São 1.028 registros, o que representa 62% do total. Em seguida, aparecem os desastres relacionados à seca, com 588 ocorrências.

 

As regiões Sul e Nordeste foram as mais afetadas durante 2010, com 753 e 472 portarias emitidas respectivamente. Já entre os estados, os que tiveram mais decretos emitidos no período foram Santa Catarina (380), Rio Grande do Sul (286), Bahia (177) e Minas Gerais (166).

 

A entidade destaca que, entre 2003 e 2009, "vários municípios sofreram problemas recorrentes". Na lista dos 30 mais afetados está Sobral (CE), com 18 portarias emitidas durante o período. "No Brasil, todos os anos, ocorre uma repetição de desastres naturais. Com a crescente urbanização em áreas inadequadas, consideradas de risco, os danos humanos e os prejuízos econômicos se agravam cada vez mais", diz o estudo.

 

A confederação também apontou que as verbas do governo federal são mais focadas na resposta aos desastres do que na prevenção. Segundo a entidade, o orçamento dos dois programas relacionados à Defesa Civil, Prevenção e Preparação para Desastres e Respostas aos Desastres, cresceu de 2003 a 2009. Mas o gasto continua concentrado na contenção dos efeitos causados pelos desastres.

 

O programa de prevenção atingiu seu investimento máximo em 2008, quando foram gastos R$ 57,4 milhões, enquanto o valor pago na resposta aos desastres foi de R$ 388 milhões. Em 2009, o programa de resposta a tragédias teve seu maior gasto: R$ 1,1 bilhão. No mesmo período, foram investidos R$ 47 milhões na prevenção.

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