Número de doentes triplica no Maranhão

Trizidela do Vale é obrigada a reduzir tempo de internação de pacientes; Piauí já tem o dobro de atingidos pelas enchentes em relação a 2008

Wilson Lima, Tiago Décimo, Solange Spigliatti e Luciano Coelho, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

O número de casos de doenças como hepatite, leptospirose, dengue, diarreia e gripe aumentou consideravelmente em cidades do Maranhão atingidas pelas cheias dos rios, de acordo com balanços de Secretarias Municipais de Saúde. Em Trizidela do Vale, a 226 quilômetros de São Luís, o número de internações e de atendimentos do Programa de Saúde da Família (PSF) triplicou. Em Pedreiras, município vizinho, o número de internações aumentou no mesmo ritmo.Em Trizidela do Vale, o PSF realizava cerca de 2,2 mil atendimentos por mês. Com a inundação de 90% da cidade, nos últimos 30 dias, foram 6,8 mil consultas. Nesse período foram realizadas 350 internações no Hospital Municipal Doutor João Alberto. "Para atender tanta gente, fomos obrigados a diminuir o tempo de permanência das pessoas no hospital", diz a secretária de Saúde de Trizidela do Vale, Ediuene Sousa.Em Pedreiras, em 30 dias, 730 pessoas foram atendidas com doenças ligadas diretamente às enchentes. Foram registradas 12 internações por hepatite A e dois casos de leptospirose. "Em períodos normais, registrávamos, por exemplo, menos de quatro casos de hepatite A por mês", comparou o secretário de Saúde, José Lima. Dos dois hospitais de Trizidela do Vale, um ficou alagado e os atendimentos, em 30 leitos, foram concentrados em apenas uma unidade. Em Pedreiras, o hospital infantil, com 35 leitos, foi interditado. Os atendimentos estão concentrados no Hospital Geral do município, com capacidade para 45 leitos. A autônoma Edinalda de Araújo morava em São Paulo e foi para Pedreiras ajudar a mãe que ficou desabrigada. Edinalda contraiu diarreia e precisou ser internada na semana passada. "Quis ajudar, mas sou eu quem preciso de ajuda", disse. De acordo com a Defesa Civil do Maranhão, subiu para 116 mil o número de desabrigados e desalojados no Estado e para 338 mil os afetados. São 93 cidades em situação de emergência. O desespero da população fez com que homens da Força Área Brasileira suspendessem a distribuição de mantimentos em Icatu, no domingo. Houve disputa por alimento próximo a um helicóptero.OUTROS ESTADOSA Secretaria Estadual de Defesa Civil de Piauí informou que houve crescimento de 90% do número de pessoas afetadas por enchentes neste ano, em relação a 2008. O órgão orientou prefeitos a prepararem o relatório de danos o mais breve possível para garantir atendimento emergencial e recursos para a reconstrução das cidades. De acordo com o boletim do órgão, prefeitos de 40 municípios decretaram estado de emergência. São 18.074 famílias atingidas por alagamentos, sendo 12.651 desalojadas e 5.422 desabrigadas. O número total de pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes é de 90.370. Na Bahia, depois de três dias de estiagem, a chuva voltou a castigar Salvador entre o fim da tarde de domingo e ontem. Houve pontos de alagamento nas principais avenidas e oscilações no fornecimento de energia elétrica, causadas por quedas de árvores e de postes. Segundo a Defesa Civil, foram registradas ontem 368 ocorrências relacionadas à chuva, entre elas 138 deslizamentos de terra e 11 desabamentos de imóveis. Não houve registro de vítimas. Na cidade, há 3.500 desabrigados e 615 imóveis em risco de desabamento. Na Bahia, chegam a nove os municípios que decretaram emergência. Em Nazaré, no Recôncavo, o nível do Rio Jaguaripe subiu mais de 2 metros entre anteontem e ontem e deixou 200 famílias desabrigadas.SECABalanço da Defesa Civil de Santa Catarina registra 124 municípios em situação de emergência por causa da estiagem. As regiões mais afetadas pela falta de chuvas são o oeste, o meio-oeste, extremo oeste, planalto, norte e Vale do Itajaí de Santa Catarina, que sofreu fortemente comas as chuvas de novembro do ano passado.

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